segunda-feira, 12 de junho de 2017

Corda Bamba...




Podemos teimar em caminhar apenas em solo firme
ou abraçar o desafio de nos equilibrarmos em uma corda bamba
com uma vara que vai se desequilibrando

para manter o desejado equilíbrio...


Pense nisso




domingo, 11 de junho de 2017

China, uma viagem inesquecível!

                                                                                                   

É certo que cada um constrói para si, a imagem de um determinado lugar mesmo antes de conhecê-lo. Sendo assim, fácil se pode perder a oportunidade de absorver as coisas como elas realmente são, e não como pensávamos que fossem.

Ocorre que recentemente voltei de uma viagem à China, e percebo que a linha de pensamento que mantive durante muito tempo, a cerca da civilização chinesa mudou muito depois de tudo o que vi. A verdade é que a China se mostrou tremendamente valiosa para mim, pois até então, a imaginava como uma cultura fechada em segredos e com uma sociedade tradicional e muito hierarquizada vivendo em edifícios cinzentos, tristes e monótonos.

Mas o que vi foi uma cultura rica por seus detalhes e um país que vive uma explosão de crescimento incrivel. E a oportunidade de poder vivenciar esse desenvolvimento vertiginoso me deixou simplesmente maravilhada.  E só o fato de estar em território chinês e encontrar a cada passo uma realidade bem diferente da que conhecia – a de uma brasileira que vive em Buenos Aires -, já conseguia antever o cenário magnífico que me aguardava.

A escala de desenvolvimento, construção e movimentação de pessoas é uma coisa surpreendente. O que ontem era uma pequena vila, hoje alberga milhares de habitantes e numerosos arranha-céus. Parece que 90% das gruas do mundo estão na China.

As cidades crescem num piscar de olhos devorando parte das memórias humanas e lançando sombras sobre suas afeições. Inclusive há um conto chinês em que, página a página um personagem procura em vão os lugares da infância, numa cidade transfigurada pelo tempo e pela modernidade avassaladora. Na verdade, nada na China parece ter parado de se metamorfosear. A cada dia que passa o país altera a sua paisagem urbana. 

O cenário que se vê em algumas cidades, como Shanghai, por exemplo, mostra um dos retratos mais futuristas do planeta. Torres gigantescas de vidro e aço erguem-se numa competição desenfreada pela glória de chegar mais alto. A arquitetura é circular, quadrada, retangular e com formas incrivelmente diferentes. Uma planície de arranha-céus que se estende no horizonte visual até onde a neblina e a poluição nos permitam visualizar.

Mas a China, mais do que encantar pelas suas atrações urbanas, me seduziu pelas formas de sua natureza caprichosa e provida de toda a inspiração. A força de alguns cenários é arrebatadora, tanto que algumas vezes não foi fácil dar as costas ao que me foi dado para contemplar, da mesma forma que não foi difícil associá-los a outros, tão marcantes quanto.

Lembro-me do marulho das águas do Rio Yangtzé correndo pelo meio das montanhas que ameaçavam tocar os céus. O pardo final de tarde nas grandes muralhas em Badaling e seus muros altos, sólidos e imensos acompanhando as montanhas sinuosas, de cima a baixo, como o corpo de um dragão que hoje já não protege de invasões ou muito menos isola ou separa, mas sim, é símbolo da identidade histórica e orgulho do país.

E diante aquela imensidão, uma estranha sensação de pequenez me assaltava o espírito, pois era impossível impedir a mente de viajar diante daquela paisagem esmagadora, daquele cenário imóvel, pincelado do verde-terra árido ao chumbo da muralha, para então, finalmente terminar mais acima, no azul do céu. Uma das coisas mais impressionantes que qualquer memória humana pode registrar.

E não poderia deixar de mencionar Xian e a beleza trágica de seu exército de terracota. Figuras impressionantes, uma inacreditável expressão da arte chinesa de dois mil e duzentos anos que agregam não só valor estético e histórico, mas também um valor icónico de importância mundial. O lugar impressiona e emociona. Beleza e ódio em um mesmo conjunto de estátuas. Cada uma com a sua própria expressão, o seu próprio lugar no corpo de combate, hierarquia e particularidade indumentária.

E também em Xian encontra-se o fantástico, agitado e colorido bairro muçulmano, onde habita há séculos uma comunidade que migrou no vaivém da Rota da Seda. E foi ali que encontrei um pouquinho daquela China que conservava até então como estereótipo: a carne exposta ao ar livre, as quinquilharias imitando o jade ou metais preciosos, a infindável e colorida exposição de produtos alimentares, as cozinhas improvisadas nas calçadas, os cheiros, os rostos exóticos e as poses peculiares.

E essa foi a China que eu descobri. De Pequim a Shanghai vi um país com pressa de ser a principal potência mundial, por isso vive a maior transformação da história dos últimos séculos – talvez o mundo esteja prestes a virar uma página, fazendo regressar ao oriente a liderança perdida. Um país de contrastes. Passa-se de grandes urbes a templos budistas, onde pessoas com as mãos entrelaçadas em paus fumegantes de incenso, dobram-se diante de suas divindades.

Ou seja, os traços vincados da história de uma civilização com cinco mil anos, e a ocidentalização de apenas três décadas convivem muito bem. De lanternas tradicionais à porta de lojas ou casas, do remate bicudo e em arco no telhado, ainda sobrevive na face urbana sinais da sua cultura milenar.

E o que era uma sociedade rural, rapidamente transformou-se em uma sociedade de consumo desenfreada. Andando pelas ruas sempre se pode encontrar um bom retrato social da China de hoje. Pessoas de todas as idades, chineses ou estrangeiros carregados de sacolas com marcas da moda. Grifes, especialmente - ou falsificações, pouco importa - são o ponto focal, sempre.

Mas o chinês é capaz de ignorar as hordas de turistas e não deixar que nada nem ninguém tirem seu sorriso. São gentis, acolhedores e donos de uma tranquilidade invejável. Mas quando abrem a boca, prepare-se, pois falam muito alto. Um pequeno grupo é garantia de barulho ensurdecedor. E mais uma coisa: não espere que respeitem filas. Passam a sua frente sem o menor pudor.

Outra coisa que observei por todas as cidades onde passei: Os chineses adoram dançar. Em qualquer praça ou parque público é possível encontrar mulheres e homens dançando ao ar livre, uma prática que se tornou um fenómeno e envolve milhões de pessoas na China. Eles praticam o Guangchangwu - dança na praça pública, em português - e se permitem todo o tipo de improvisos. Vão desde os clássicos bailes a ritmos mais modernos, seja chinesa ou ocidental – em Beijing, em uma praça, escutei Roberto Carlos. Inclusive com coreografias arrojadas e complexas. Bem que essa moda poderia pegar por aqui também.

Enfim, visitar a China de hoje é como ler a história do futuro próximo. É um país onde o ritmo da mudança é brutal e mudará o mundo das próximas gerações. Um país que revela o mesmo lado que levou os imperadores de outrora a fazer obras descomunais para glorificar o seu poder e mostrar a sua crença ilimitada no futuro. Um país que eu amei e que com certeza um dia voltarei.