quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Para Nara Almeida! ...



Pigmaliao, segundo a mitologia grega, buscava uma mulher perfeita para casar-se, porém, nunca encontrava quem fosse capaz de cumprir com todas as suas expectativas e exigências.  Sendo assim, abandonou sua busca e dedicou-se a esculpir estátuas de mulheres conforme seus critérios.  Foi quando finalmente se apaixonou por Galatéa, uma de suas obras, a quem começou a tratar como se fosse real. Por intermédio de Afrodite, Galatéa ganha vida e se transforma em uma mulher de carne e osso, cumprindo assim com todos os sonhos e expectativas de Pigmaliao.

E na vida real também podemos cumprir com nossos objetivos quando acreditamos verdadeiramente em algo com firmeza e convicção, pois quando criamos expectativas, criamos também uma força que nos move, que influencia sobre nós para que nos comportemos de maneira a não defrauda-las. É dizer, que as expectativas, somado a confiança em nós mesmos nos leva a crer e, por fim, lograr.  

Mas em alguns casos não basta somente crer em nós mesmos. Às vezes necessitamos do auxilio da fé, de um Deus, seja ele quem for, visto que a religião é inerente a todo ser humano. Ou seja, os convictos de suas religiões creem na proteção divina e reconhecem a religiosidade como sustento e conforto quando enfrentam situações difíceis, principalmente quando o desafio é complexo, como uma doença, por exemplo.

E é o que vem ocorrendo com Nara Almeida, uma jovem de 24 anos que luta contra um câncer de estomago, diagnosticado em agosto. Todos os dias eu a vejo buscar e reunir fragmentos de si mesma e compô-los novamente, estabelecendo assim, a cada novo dia seu compromisso com a vida. Essa mesma vida positiva que, por mais violentada que esteja, Nara sempre consegue nos mostrar através de sua dimensão espiritual, fé, coragem e esperança ao encarar com otimismo seu destino.

A experiência de Nara com relação a sua doença bem como sua fé está diretamente ligada ao seu modo de encarar o sentido de vida e morte, saúde e doença. É incrível como ela consegue mudar o olhar das coisas. A maneira como ela vê seu câncer. A maneira como eu vejo a ela e o câncer.

E isso se dá porque Nara é uma menina de valores humanos grandiosos. De uma singularidade impar. Uma vida que exige ser e se posicionar no mundo, porque Nara é dona de uma força vital incrível. E é essa mesma força que a posiciona diante da vida e a faz seguir.

Que a vida é um mistério infinito, isso já se sabe. Mas Nara nos mostra que cada pessoa é muito mais que o seu próprio limite. Por isso, acredite, confie. Crie expectativas.  Tenha fé. Não importa o tamanho de seu problema. Pense sempre que a fé é universal, dinâmica e integradora. É uma dimensão que confere significado à vivência humana e dá consistência às nossas experiências.

Sua força Narinha, é invejável. E a sua espiritualidade, fé e coragem é o que geram todo impacto positivo na vida das pessoas que te seguem nessa cruzada. E todos os dias você nos mostra que é possível encontrar um caminho ou uma saída para o sofrimento, e assim nos inspira e guia com coragem para que superemos também nossas próprias  aflições e tormentas.  

Obrigada por tanto ensinamento. Que Deus te proteja, dê saúde para que possamos tê-la entre nos por muito e muito mais tempo.







quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Criatividade - Fugindo dos rituais mecânicos...





“Toda arte é a confissão de que a vida não basta” Fernando Pessoa

A frase me soa como uma espécie de reconhecimento de que a vida cotidiana não é suficiente. E talvez não seja mesmo. O cotidiano pode ser monótono, rotineiro e superficial.

Contudo, podemos usar a imaginação e criar alternativas para fugir da vida prática, dos cálculos ensaiados, das paredes contabilizadas e do ritual mecânico, tedioso e nada romântico da sala de jantar. Porque a vida, muitas vezes, só precisa de um toque de criatividade para produzir em nós aquela sensação que faz emergir situações que, embora nunca concretizadas, representem nossos sonhos jamais adormecidos.

Sim, porque a criatividade ajuda a promover a felicidade. Não há como negar! Por isso improvise, crie. Procure novas e inéditas formas de ver, entender e fazer as coisas, porque nada de agradável acontece espontaneamente. As pessoas felizes sabem que a felicidade não cai do céu, muito menos acreditam que esteja pronta.

As pessoas felizes entendem que a felicidade é a obra de uma vida construída dia após dia. Portanto, como não está acabada, a felicidade é um projeto pessoal que pode ser refeito, modificado, adaptado, criado e recriado. É um processo criativo que, mesmo entre escombros, pode nos salvar.



Pense nisso...





sábado, 5 de agosto de 2017

“The Lost Honour of Christopher Jefferies”



Acabo de assistir o filme que aborda o drama vivido pelo professor aposentado Christopher Jefferies que, até então, gozava de uma vida tranquila e uma reputação intocável, quando, injustamente passa a ser apontado como o principal suspeito na morte de sua inquilina, a estudante de arquitetura Joanna Yeates, ocorrido na cidade de Clifton, Inglaterra, 2010.

Jefferies então é levado à estação policial e lá interrogado a exaustão. Por vários dias é mantido preso, porém, mesmo sem evidencia alguma, ainda assim, diariamente sua imagem está presente nos jornais britânicos que o descrevem como um homem estranho, solitário e excêntrico, principalmente por seus trejeitos, que para maioria não era nada convencional, mas suficiente para que o condenassem por isso.

E enquanto a trama seguia, inúmeras reflexões surgiam, principalmente no que diz respeito aos limites entre o direito à honra, a intimidade e a imagem da pessoa investigada, e o direito e respeito à liberdade de informação.

Muitas perguntas surgiram e muitas historias como a de Christopher Jefferies me vieram a mente. Histórias de pessoas que foram vítimas de investigações cheias de falhas e execradas pela imprensa sensacionalista e manipuladora. E, óbvio, com a conivencia de uma plateia sedenta em julgar e opinar, quando na verdade não possuem nada em que fundamentar sua opinião ou juízo. 

Mas para essa gente, pouco e nada é suficiente para destruir a vida alheia – a cena em que Jefferies chega a sua casa, e se depara com todos seus pertences espalhados e sua intimidade devassada, é de cortar o coração. Por isso não me deixo levar pelas aparências e tão pouco acredito cegamente em tudo que assisto ou leio por aí. Disseminar informações duvidosas e que não estejam respaldadas com a verdade e, de forma deliberada, só nos torna colaboradores de mais injustiça e difamação

Ou seja, assegurar o direito à informação não significa desrespeitar o direito a intimidade e a vida privada. Muito menos denegrir a honra e a imagem de alguém. Mas infelizmente isso acontece muito, principalmente na internet, onde a informação que nos chega, geralmente vem carente de uma verdade e razão. Não há atenção ao que é realmente importante e relevante. Qualquer notícia rapidamente pode ser qualificada ou desqualificada, confirmada ou negada, aprofundada ou rejeitada por milhões de pessoas. E sem o mínimo conhecimento, somente amparada no argumento de que todos têm direito a expressar-se, o que obviamente é uma mentira, já que pessoas e muitos meios de comunicação atropelam leis, invadem a privacidade das pessoas e usam de má fé no tratamento das noticias, pois o que vale é a ilusão e o burburinho que a noticia possa causar. 

The Lost Honour of Christopher Jefferies, é um filme lindo, sensível e com cenas bem amarradas. É impossível não se comover diante de sua particular cruzada ao buscar recuperar sua honra, dignidade e, principalmente, seu direito à intimidade.  

E foi graças a essa luta que finalmente logrou responsabilizar os meios de comunicação pelo desastre em que deixaram sua vida. Obteve não somente uma indenização por danos morais, mas também a publicação de um pedido de desculpas como parte de uma compensação moral, pois o julgaram não pelos seus feitos, mas sim por ser diferente.





sábado, 29 de julho de 2017

Espinha ereta, uma nova postura!



“Tudo é uma questão de manter,
a mente quieta,
a espinha ereta
e o coração tranquilo”

É tão desconcertante observar como algumas pessoas fazem do mal um hábito, que me mantenho fiel à frase acima e a uso como uma espécie mantra.

Ocorre que sempre aceitei pacificamente e respeitosamente toda e qualquer diferença de opinião, até porque são naturais do comportamento humano, ampliam o foco, abrem a mente e determinam múltiplos pontos de vista sobre um mesmo tema.

Porém há uma diferença enorme quando a divergência não é o objetivo a ser alcançado, mas sim os meios que cada um usa para chegar até ele. Por isso não é preciso ter dois neurônios para saber que, aquele que se comunica de forma clara, dá feedback, atua de acordo a seus discursos, não fala nas entrelinhas, é claro e dá nome aos bois.

Já quem tem como objetivo a intriga, geralmente desconhece o fato de que uma discussão gerada por divergência de ideias pode sim ser produtiva, pois proporciona o crescimento dos envolvidos, enquanto que as discordâncias fundamentadas em imposição de opinião e maledicências só geram conflitos pessoais, inimizades e prejuízos para todos.

Portanto, faça um bem a si mesmo e deixe de sentir-se "obrigado a conviver" com esse tipo de pessoa e comportamento. Isso  não acrescenta nada a nossa vida. E tão pouco essas pessoas são dignas de nosso carinho e respeito.


Pense nisso...


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Discrição - Juízo e Prudência!



Alguém disse que sou muito discreta com relação a minha vida pessoal. E sim, realmente sou. Aprendi a ser. 

Aprendi a medir palavras e atos. A me expandir ou me conter, segundo o que meu juízo e prudência me aconselhem.

Aprendi que para ser dona absoluta de meu foro íntimo, refúgio de minhas penas e albergue sublime da minha felicidade e alegria, é preciso determinar com precisão as fronteiras que separam minha vida interna da externa com discrição, pois é ela a chave que fecha com total segurança a porta das confidências, sejam elas boas ou não.

E essa porta é melhor que mantenha-se fechada, porque a minha vida íntima e privada é patrimônio único, exclusivo e sagrado meu. E somente meu!


Pense nisso... 
E partique isso!!! É bem mais saudável.




segunda-feira, 10 de julho de 2017

Dubai, ame-a ou deixe-a!


Há qualquer coisa de irreal em Dubai. O desenvolvimento e crescimento da mega estrutura urbana que é Dubai, não envolve. Tão pouco agride. Mas é impossível ficar indiferente diante desse organismo vivo e, para mim, com tão pouca identidade.

A cidade é como uma colagem de enormes edifícios. Uma cultura que, em tudo nos é estranha. Uma metamorfose densa e extensa. Uma gigantesca colmeia urbana onde tudo é feito para nos tirar o fôlego. Uma cidade que disparou em direção ao futuro e deixou para trás, em uma nuvem de poeira seu passado, uma pequena localidade de pescadores e apanhadores de pérolas.

Dubai me pareceu meio irreal e futurista. Há momentos em que a cidade se recolhe e não há ninguém pelas ruas, certamente devido às altas temperaturas - quando estive, junho passado, fazia 48graus - mas logo se agita e inicia sua marcha apressada.

Do alto do edifício onde estávamos hospedados era possível ter uma percepção mais clara do que é Dubai: Uma sucessão de arranha-céus rodeados por zonas de casas cor de areia, que se estendem até o mar. E então é possivel entender melhor que esta é uma cidade que foi realmente plantada onde até pouco tempo atrás, tudo era praticamente um deserto.

Dubai é o máximo do artificialismo. Lá se encontram algumas das obras de engenharia mais caras do mundo: as áreas aterradas, onde antes era mar. E talvez movidos por essa atmosfera de que tudo em Dubai é possível, há quem diga que a cidade é um lugar onde tudo se pode. E há momentos em que se tem a sensação de que tudo nos é permitido, ou não, como consumir bebida alcoólica em público, por exemplo. Para consumir bebida alcoólica, mesmo que seja em casa é necessário que se tenha um documento específico que permita comprar e fazer uso da bebida. Caso a pessoa não a tenha e aconteça alguma coisa enquanto estiver embriagada, como um acidente de carro, por exemplo, certamente irá presa. E não para por aí: Receber um convidado em casa e consumir álcool também poderá ser um problema, pois se seu convidado ao sair sofrer um acidente e você não possuir o tal documento, então você será declarado o responsável, e não ele. E comer ou beber – aí qualquer tipo de bebida - dentro dos vagões do metro, que são impecáveis e limpíssimos, também é proibido, inclusive nem chiclete é permitido. Dá multa, e bem cara.

Mas caso você queira provar um cappuccino polvilhado com ouro, aí sim, isso pode! Basta que você vá até o topo do Burj al-Arab, o hotel de sete estrelas localizado em uma pequena ilha artificial. E se quiser detonar ainda mais o seu cartão de crédito e tiver pernas para caminhar quilômetros, então se jogue no maior shopping do mundo, o Dubai Mall, com suas mil e duzentas lojas , quase todas de grife, óbvio,  ou as vinte e duas salas de cinema, as cento e sessenta redes de fast food, os cento e vinte restaurantes, a maior pista de patinação de gelo no mundo ou um dos maiores aquários, com cerca de trinta e três mil espécies marinhas.  

E durante essa maratona, não se preocupe com o idioma, pois isso não será problema. Se você souber o básico em inglês, já está de bom tamanho, pois Dubai é uma cidade muito internacional. Mais de 80% da população é composta por estrangeiros de todas as partes do mundo, e o inglês é amplamente falado. Na verdade Dubai mais me pareceu uma cidade de passagem, aonde as pessoas vem para dar um tempo, fazer um dinheirinho, ou não, se levarmos em consideração que Dubai é deserto e toda a comida é importada, portanto, bem cara.

E quanto à vestimenta, também não há grandes problemas. Vi muitas mulheres usando roupas curtas, decotadas e inclusive shortinho. Obviamente eram turistas ou moradoras estrangeiras, pois as mulheres locais andam cobertas da cabeça aos pés. De negro, geralmente. E chama atenção que as famílias são enormes, pois segundo o islã, os homens podem ter varias esposas e, portanto, uma penca de filhos. Vê-se muito pelos shoppings. Sempre há um homem cercado por algumas mulheres e várias crianças ao redor.

Andar por Dubai é muito seguro, inclusive à noite. Lá não existe morador de rua, nem cachorro abandonado. E pensando bem, não lembro ter visto nenhum cachorro pelas ruas de Dubai. Também não há pichações, lixo na rua ou qualquer coisa que possa desviar nossa atenção do luxo e brilho do lugar. Realmente é um oásis no meio do deserto. 

Enfim, quem visitar Dubai daqui a seis meses ou daqui a um ano já verá uma cidade diferente daquela que conheci agora. E a impressão que fica é de um lugar que encanta, mas não comove. Que se ama ou não. Um lugar para se visitar uma única vez ou voltar a cada ano. Uma cidade que me mostrou que existe coisa que é preciso ser vista para ser entendida. E que existem sentimentos que precisam ser vividos para se aprender o valor de se ter para onde voltar.

Quer descobrir Dubai? Então vá ver com seus próprios olhos, porque nada melhor do que poder ter opiniões sobre aquilo que vivemos, e não apenas sobre o que ouvimos contar.

























segunda-feira, 12 de junho de 2017

Corda Bamba...




Podemos teimar em caminhar apenas em solo firme,
ou abraçar o desafio de nos equilibrarmos em uma corda bamba
com uma vara que vai se desequilibrando
para manter o desejado equilíbrio.


Pense nisso...




domingo, 11 de junho de 2017

China, uma viagem inesquecível!

                                                                                                   

É certo que cada um constrói para si, a imagem de um determinado lugar mesmo antes de conhecê-lo. Sendo assim, fácil se pode perder a oportunidade de absorver as coisas como elas realmente são, e não como pensávamos que fossem.

Ocorre que recentemente voltei de uma viagem à China, e percebo que a linha de pensamento que mantive durante muito tempo, a cerca da civilização chinesa mudou muito depois de tudo o que vi. A verdade é que a China se mostrou tremendamente valiosa para mim, pois até então, a imaginava como uma cultura fechada em segredos e com uma sociedade tradicional e muito hierarquizada vivendo em edifícios cinzentos, tristes e monótonos.

Mas o que vi foi uma cultura rica por seus detalhes e um país que vive uma explosão de crescimento incrivel. E a oportunidade de poder vivenciar esse desenvolvimento vertiginoso me deixou simplesmente maravilhada.  E só o fato de estar em território chinês e encontrar a cada passo uma realidade bem diferente da que conhecia – a de uma brasileira que vive em Buenos Aires -, já conseguia antever o cenário magnífico que me aguardava.

A escala de desenvolvimento, construção e movimentação de pessoas é uma coisa surpreendente. O que ontem era uma pequena vila, hoje alberga milhares de habitantes e numerosos arranha-céus. Parece que 90% das gruas do mundo estão na China.

As cidades crescem num piscar de olhos devorando parte das memórias humanas e lançando sombras sobre suas afeições. Inclusive há um conto chinês em que, página a página um personagem procura em vão os lugares da infância, numa cidade transfigurada pelo tempo e pela modernidade avassaladora. Na verdade, nada na China parece ter parado de se metamorfosear. A cada dia que passa o país altera a sua paisagem urbana. 

O cenário que se vê em algumas cidades, como Shanghai, por exemplo, mostra um dos retratos mais futuristas do planeta. Torres gigantescas de vidro e aço erguem-se numa competição desenfreada pela glória de chegar mais alto. A arquitetura é circular, quadrada, retangular e com formas incrivelmente diferentes. Uma planície de arranha-céus que se estende no horizonte visual até onde a neblina e a poluição nos permitam visualizar.

Mas a China, mais do que encantar pelas suas atrações urbanas, me seduziu pelas formas de sua natureza caprichosa e provida de toda a inspiração. A força de alguns cenários é arrebatadora, tanto que algumas vezes não foi fácil dar as costas ao que me foi dado para contemplar, da mesma forma que não foi difícil associá-los a outros, tão marcantes quanto.

Lembro-me do marulho das águas do Rio Yangtzé correndo pelo meio das montanhas que ameaçavam tocar os céus. O pardo final de tarde nas grandes muralhas em Badaling e seus muros altos, sólidos e imensos acompanhando as montanhas sinuosas, de cima a baixo, como o corpo de um dragão que hoje já não protege de invasões ou muito menos isola ou separa, mas sim, é símbolo da identidade histórica e orgulho do país.

E diante aquela imensidão, uma estranha sensação de pequenez me assaltava o espírito, pois era impossível impedir a mente de viajar diante daquela paisagem esmagadora, daquele cenário imóvel, pincelado do verde-terra árido ao chumbo da muralha, para então, finalmente terminar mais acima, no azul do céu. Uma das coisas mais impressionantes que qualquer memória humana pode registrar.

E não poderia deixar de mencionar Xian e a beleza trágica de seu exército de terracota. Figuras impressionantes, uma inacreditável expressão da arte chinesa de dois mil e duzentos anos que agregam não só valor estético e histórico, mas também um valor icónico de importância mundial. O lugar impressiona e emociona. Beleza e ódio em um mesmo conjunto de estátuas. Cada uma com a sua própria expressão, o seu próprio lugar no corpo de combate, hierarquia e particularidade indumentária.

E também em Xian encontra-se o fantástico, agitado e colorido bairro muçulmano, onde habita há séculos uma comunidade que migrou no vaivém da Rota da Seda. E foi ali que encontrei um pouquinho daquela China que conservava até então como estereótipo: a carne exposta ao ar livre, as quinquilharias imitando o jade ou metais preciosos, a infindável e colorida exposição de produtos alimentares, as cozinhas improvisadas nas calçadas, os cheiros, os rostos exóticos e as poses peculiares.

E essa foi a China que eu descobri. De Pequim a Shanghai vi um país com pressa de ser a principal potência mundial, por isso vive a maior transformação da história dos últimos séculos – talvez o mundo esteja prestes a virar uma página, fazendo regressar ao oriente a liderança perdida. Um país de contrastes. Passa-se de grandes urbes a templos budistas, onde pessoas com as mãos entrelaçadas em paus fumegantes de incenso, dobram-se diante de suas divindades.

Ou seja, os traços vincados da história de uma civilização com cinco mil anos, e a ocidentalização de apenas três décadas convivem muito bem. De lanternas tradicionais à porta de lojas ou casas, do remate bicudo e em arco no telhado, ainda sobrevive na face urbana sinais da sua cultura milenar.

E o que era uma sociedade rural, rapidamente transformou-se em uma sociedade de consumo desenfreada. Andando pelas ruas sempre se pode encontrar um bom retrato social da China de hoje. Pessoas de todas as idades, chineses ou estrangeiros carregados de sacolas com marcas da moda. Grifes, especialmente - ou falsificações, pouco importa - são o ponto focal, sempre.

Mas o chinês é capaz de ignorar as hordas de turistas e não deixar que nada nem ninguém tirem seu sorriso. São gentis, acolhedores e donos de uma tranquilidade invejável. Mas quando abrem a boca, prepare-se, pois falam muito alto. Um pequeno grupo é garantia de barulho ensurdecedor. E mais uma coisa: não espere que respeitem filas. Passam a sua frente sem o menor pudor.

Outra coisa que observei por todas as cidades onde passei: Os chineses adoram dançar. Em qualquer praça ou parque público é possível encontrar mulheres e homens dançando ao ar livre, uma prática que se tornou um fenómeno e envolve milhões de pessoas na China. Eles praticam o Guangchangwu - dança na praça pública, em português - e se permitem todo o tipo de improvisos. Vão desde os clássicos bailes a ritmos mais modernos, seja chinesa ou ocidental – em Beijing, em uma praça, escutei Roberto Carlos. Inclusive com coreografias arrojadas e complexas. Bem que essa moda poderia pegar por aqui também.

Enfim, visitar a China de hoje é como ler a história do futuro próximo. É um país onde o ritmo da mudança é brutal e mudará o mundo das próximas gerações. Um país que revela o mesmo lado que levou os imperadores de outrora a fazer obras descomunais para glorificar o seu poder e mostrar a sua crença ilimitada no futuro. Um país que eu amei e que com certeza um dia voltarei. 
























sábado, 20 de maio de 2017

Brigitte, a mulher que seduz e perturba a imprensa internacional.



Emmanuel Macron é o presidente eleito da França. Venceu Marine Le Pen, a mais dura candidata da direita francesa. Ocorre que mais de 60% dos artigos e comentários não se ocuparam em discutir a meteórica carreira politica do presidente eleito, nem tão pouco como irá conduzir o futuro da França, mas sim, de um assunto que só diz respeito a Macron e sua esposa, Brigitte Trogneaux: A diferença de idade entre eles. Preocupação eterna do raciocínio pobre, principalmente em uma sociedade machista, onde as escolhas e a privacidade da vida pessoal sempre se convertem em motivo de fuxicos e maledicências. E fiel à tradição, o julgamento é amplificado porque é, neste caso, de um casal no qual, ela, é duas décadas mais velha que ele.

E nesse mundo midiático, banalidades e barbaridades não têm fronteiras. Comentários maldosos surgiram de todos os cantos do planeta, tanto que a revista Elle publicou: "Esta assustadora anomalia social, de um homem mais jovem casar-se com uma mulher mais velha, acontece por milênios. Mas o oposto parece excitar toda a terra", dizem eles. E é verdade. Ninguém fica chocado que Donald Trump tenha os mesmos 24 anos de diferença com sua esposa, Melania, e no entanto os ataques continuam contra Brigitte.

Mas gostem ou não, Brigitte Macron está na vida do marido desde que ele tinha 15 anos: primeiro como professora, depois como companheira e agora como a sua primeira-dama. E ela vai estar ao lado do marido quando ele assumir o cargo como o segundo presidente mais jovem da história da França, desde a eleição em 1848 de Luís Napoleão, sobrinho de Napoleão, aos 40 anos.

Elegante e esbelta Brigitte Macron, de 64 anos será a colaboradora mais próxima do seu marido. E ela tem o crédito de ter influenciado a visão do marido sobre mulheres na política – e Macron prometeu que metade dos candidatos concorrendo pelo seu partido nas eleições da Assembleia Nacional, em junho, será de mulheres.

E o novo presidente quer formalizar o papel da primeira dama. Em uma entrevista à revista Vanity Fair, ele disse: "Se eu for eleito - não, desculpe, quando nós formos eleitos - ela vai estar lá, com um papel e um lugar para ocupar".

Adorei esse cara!





domingo, 14 de maio de 2017

Dia das mães - também um dia de saudades!



Dentro de uma gama variada de sentimentos, há um tão profundo, interno e desconcertante chamado saudade. Uma ferramenta da alma que, desejável ou não, tem a função de nos aproximar das pessoas ausentes, pois é na saudade que revisitamos o outro que se foi.

Saudade é a verificação da permanência do outro em nós. É um reencontro com o passado. Uma retificação da memória.  Um situar-se no meio do que foi e não é mais. É o que deixou de existir.

Saudade é medida do tempo. É o tempo mais circular que retilíneo. É o passado vivo no presente. Um sentimento de significados múltiplos, individual e intimista.

Saudade é o que tenho sentido ao longo dos últimos dez meses. Uma sensação de que, o que se perde, não desaparece. E nesse sentido se estabelece essa relação estrutural-temporal em que percebo a construção de diferentes tempos.  

Os tempos de memórias, cujas bases são, de um lado, a dimensão afetiva, sobretudo, a saudade e, de outro, os rituais, ou seja, as datas comemorativas, como hoje, o dia das mães. E o primeiro sem você.

E essa ligação, esse vínculo mãe e filha serão continuados e reafirmados pela memória, pela saudade e pelo amor, pois enquanto existir memória e saudade você seguirá viva em meu coração. 



sexta-feira, 12 de maio de 2017

Home - Um lugar para chamar de meu...



Existe um lugar chamado lar. 
Um lugar situado ou situável
 em algum lugar do mundo físico ou imaginário. 
Um lugar de identificações 
onde somos capazes de nos proteger da intromissão do estranho
 e do indesejado. 
O lugar onde encontramos a paz e o conforto, 
tenham eles a cara que tiver.




domingo, 7 de maio de 2017

Fotografia - Imobilidade viva!





“A poesia é algo que entra pelos olhos e não pelos ouvidos”. Octavio Paz, autor mexicano.

Na literatura as palavras se convertem em imagens permeando o nosso imaginário. Já na fotografia, imagens e aparências construídas se convertem nas palavras capazes de expressar a instantaneidade e o silêncio do momento.

Numa fração de segundos a vida pode ser absorvida em suas diversas nuances, ângulos e perspectivas. E num piscar de olhos a ilusão da captura é feita.

Fotografia e literatura mostram universos íntimos e exteriores, objetivos e subjetivos. A capacidade poética e pulsante presente na incessante busca do homem, por viver bons momentos e fisgá-los através da riqueza de detalhes de uma imagem e palavras. 

Mas nem sempre a fotografia pode exibir e exprimir aquilo que se espera, pois cada um vê de forma singular o objeto retratado.  

Eu amo fotografia! E você?




quinta-feira, 13 de abril de 2017

Cuidado, poder ser tóxico...



A primeira vista não é fácil identificar uma personalidade doentia, até que o comprovemos através das mesmas e negativas sensações de esgotamento, frustração e o alivio de se estar só. 

A pessoa tóxica e manipuladora é extremamente ciumenta, paranoica, infantil, egoísta e, sobretudo asfixiante, pois passa a maior parte do tempo em busca de confiança, aprovação e o reconhecimento dos demais. E para alcançar seus objetivos, faz com que andemos sobre a linha que traçar, inclusive muitas vezes usando de jogos sujos e sórdidos.

É uma pessoa que não aporta nada de positivo a uma relação, seja ela sentimental, amizade, trabalho ou familiar. Ao contrário. Em muitas ocasiões nos rouba quase toda a energia e apenas nos deixa respirar. É incapaz de construir qualquer vínculo sadio e minimamente cordial.

É mestre em deformar a realidade mediante suas mentiras e jogo de palavras. Em uma única frase pode misturar insultos, agressões e elogios de forma implacável.  É uma predadora. Não respeita a autonomia dos demais. Quer sempre impor suas ideias e critérios. É uma vampira social. Uma pessoa cujos princípios variam de acordo com seus objetivos e contexto, tratando que os demais se afastem de sua escala particular de valores.  É impermeável a culpa, e pior, manipula os fatos com tamanha maestria que acaba logrando que o outro se sinta sempre o culpado. 

É excelente estrategista. Paciente e constante espera até que consiga alcançar seus objetivos. Porém é pouco criativa. Adora semear a dúvida sobre as qualidades e competências dos demais, somente para desqualificá-los e minar a autoestima. Cria tensões, conflitos e depois oferece ajuda. Ou melhor, sua vida inteira, se possível. O que for preciso, pois esse é o momento mais oportuno para mostrar o quanto é encantadora e solidária. E há que admitir: esse tipo de pessoa possui uma grande capacidade de empatia. É a alma que te resgata de qualquer situação e te preenche os vazios, do menor ao maior. 

É uma vítima constante. Sua vida é sempre um drama. É derrotista, negativa, alarmista e chorona. Ou seja, o mundo vai mal e todas as desgraças recaem sobre ela, apesar de ser a melhor pessoa da face da terra, segundo ela mesma. Mas na verdade não é bem assim. E há que se tomar cuidado, pois as pessoas com que nos associamos influenciam diretamente em nossa mente e desempenho. Por isso temos que buscar pessoas que nos inspirem e nos impulsionem a ser melhores. E é importantíssimo saber avaliar e controlar melhor todo aquele que deixamos compartilhar de nosso mundo e nossas vidas. As pessoas a quem dedicamos tempo e buscamos para compartir ideias, informação e educação raramente tem um efeito neutral sobre nós.

Ou seja, ou nos ajudam a crescer e sermos melhores, ou nos sabotam e nos sugam aos poucos. Por isso, ao primeiro sinal de um manipilador, fuja imediatamente!







terça-feira, 4 de abril de 2017

iViva México!


Antes de me aproximar do México, sempre o vi como um destino que poderia ficar para um “segundo plano”. Mas foi em setembro de 2015, passado alguns meses de minha separação que decidi visitá-lo. E assim aproximei-me do México pela primeira vez - e provavelmente de mim mesma. E desde então, virou um caso de amor.


E quando penso no México, logo me vêm à cabeça a paradisíaca Riviera Maia, detentora da segunda maior barreira de corais do mundo e, óbvio, a Riviera Cancún, pequeno oásis de luxo que abriga centenas de hotéis e resorts maravilhosos espalhados ao longo da língua de areia branca que se estende entre o mar turquesa e a lagoa.

                                  
Mas o México não se resume somente a praias maravilhosas. É um país lindo, com uma rica e variada cultura que acima de tudo é popular. Possui belezas naturais incríveis: densas florestas, imponentes desfiladeiros, vulcões, desertos, lagos de água translúcida e repletos de vida, montanhas, quedas d’água, cenotes (são aqueles lagos de água doce e cristalina, formados pela chuva que fica armazenada, criando piscinas naturais em meio a cavernas) uma fauna e flora exótica, inúmeras cidades coloniais históricas e os famosos sítios arqueológicos da milenar civilização Maia, o que contribuiu para colocar o México no topo das Américas como o país com maior número de patrimónios mundiais, título conferido pela UNESCO.


E as comidas... Essa combinação de várias influências e condimentos indígenas me encanta. O milho é o ingrediente mais utilizado, seguido do chili, tomate, coentro e o abacate. Entre os pratos típicos destacam-se as enchiladas, os tacos, as tortilhas e os burritos, que definitivamente é o que eu mais gosto. Mas com todo aquele mar a disposição é quase uma obrigação degustar um ceviche, vieiras, polvo, camarões, lagosta ou qualquer tipo de pescado complementado com os riquíssimos molhos de salsa ou, simplesmente “a la plancha”. E tudo isso arrematado com um pouco de tequila ou mescal, bebidas características de todo o México.

                                   
Viajar ao México deveria ser obrigatório e com tempo disponível para poder desfrutar de tudo, porque quando se viaja com pouco tempo disponível, há sempre escolhas difíceis a se fazer.

                          
Por isso, sempre que volto preparo meus sentidos e espírito, pois sei que iniciarei viagem por uma das regiões mais lindas que já conheci, pois tanto na Riviera Cancún, quanto na Riviera Maia, o incrível azul turquesa da água destaca-se no branquíssimo da areia formando uma das melhores imagens do planeta. Um verdadeiro paraíso onde convivem descendentes de culturas nativas milenares e turistas de todos os continentes.

                         
E a melhor época para conhece-lo é sem dúvida na temporada alta, que vai de dezembro a agosto, sendo que de junho a agosto é a época de maior calor, pois de dezembro a março a temperatura está um pouco mais amena, o que é ideal para quem gosta de fazer passeios de exploração e aventura. E de setembro a novembro é a época de chuvas e furacões.

                          
Mas não se preocupe. Se você estiver pensando em viajar nesse período, fique tranquilo. A prevenção e organização nesse sentido é assunto sério, inclusive estão melhor preparados que muitas cidades da costa dos Estados Unidos. E quanto à chuva, isso também não é motivo de preocupação. Ao contrário, às vezes até se agradece, acredite.

                             
Ir a Cancún ou a Playa del Carmen e Tulun - as duas últimas são as mais famosas e melhor estruturadas da Riviera Maia - é tranquilo e fácil. O aeroporto fica em Cancún e encontra-se a uns 15 quilômetros do início da zona hoteleira. Então sem problemas. Mas se você decidir ir a Riviera Maia e optar por Play del Carmen terá que viajar cerca de 70 quilômetros, ou 120 quilômetros até Tulun. Geralmente às pessoas usam táxi ou serviços de traslado, mas também é possível chegar de ônibus. Há várias empresas que oferecem um serviço eficiente e bem mais econômico. E essa distancia não chega a ser um problema, pois a estrada é bem conservada, com um fluxo moderado, é segura, com policiamento em vários pontos e não possui pedágios. E ao longo do caminho é possível distrair-se com a beleza dos suntuosos e magníficos hotéis e resorts que estão distribuídos estrategicamente nos pontos mais bonitos e badalados desde Playa del Carmen até Tulun.

                  
A verdade é que cultivo um caso de amor com esse país, e em especial com essa região. E apesar de saber que não dou conta de compreendê-lo em todas as suas nuances, acredito ser possível compreendê-lo a partir da identificação com sua gente, esse povo tão especial, amável e acolhedor. Pessoas possuidoras de uma energia incrível e um dos sorrisos mais belos e verdadeiros que já vi. Um povo fascinante e diverso que abrirá os braços para você e te convidará a conhecê-los e desfrutar das belezas e delicias de seu país. E se você aceitar, sempre vai querer voltar.

         
  



*Na última sexta-feira, 31 de março voltava de mais uma viagem ao México - a segunda esse ano - e enquanto me despedia de Cancún, através da janela do avião, surgiu a vontade de escrever...