quinta-feira, 21 de julho de 2016

Desabafo...




Houve um tempo em que a medicina tratava os doentes nos hospitais, enquanto considerava haver possibilidade de cura. Porém, não havendo mais essa possibilidade aconselhavam as famílias a levarem seu familiar enfermo para morrer em casa, o que, segundo eles era a forma mais digna para morrer em paz. E isso geralmente acontece quando se esgotam todos os recursos terapêuticos, então a alternativa é liberar o doente para passar seus últimos dias de vida em casa, ao lado dos familiares e deixando o leito livre para ser ocupado por outro paciente com chance de sobrevida.

E essa nova concepção de atendimento fez surgir o chamado “cuidado paliativo”, que é mitigar o sofrimento introduzindo medidas farmacológicas, como o uso de analgésicos e de medicações que atuem sobre a dor e a falta de ar, por exemplo, fazendo com que a pessoa sinta-se no mínimo confortável, apesar de não interferirem na evolução da doença de base. Mas pela experiência que estamos vivendo, e o relato de outras família que passam pela mesma situação, a coisa não funciona exatamente assim.  A começar pela falta de informação adequada com relação a complexidade que envolve todo esse processo. 

Os recursos para tratar um doente terminal deveriam ser melhor explicados. Os médicos não poderiam deixar que as famílias saíssem dos hospitais na ignorância, porque o compromisso de um médico não acaba diante da impossibilidade da cura. Ele tem a obrigação de aliviar os sintomas e proporcionar um final de vida mais digno ao seu paciente, pois só assim evitaria que no ápice da dor, ele suplique para morrer. E quando isso acontece, obviamente é sinal de que o paciente não está recebendo adequadamente os cuidados paliativos, principalmente os pacientes de oncologia, como é o caso de minha mãe, onde infelizmente todos os recursos terapêuticos já foram esgotados. Para ela de nada adianta prescrever analgésicos comuns, quando é sabido que o mais eficaz é a morfina. 

E o que fazer quando as dores não cedem e são insuportáveis? Dar doses mais altas de analgésicos ou de outras drogas para aliviar o sofrimento e deixá-la ainda mais debilitada? Sem receber o remédio adequado, no caso a morfina, o sofrimento dela é insuportável. E aí me pergunto? Por que mandar para casa se sabem o que vai ocorrer? Por que não liberar a morfina para casos assim, pois essa é exatamente a posição defendida pela Organização Mundial de Saúde, ou seja, utilizar medicações mais pesadas porque são absolutamente necessárias para evitar o sofrimento sem a intenção de encurtar a vida do doente?

Pois é, mais uma coisa que não se explica. Embora a morfina seja o melhor dos analgésicos, no Brasil prescrevê-la é uma dificuldade, começando pela exigência de um receituário especial. Além disso os derivados de morfina disponíveis no mercado são vendidos a preço muito alto, o que inviabiliza sua utilização por pacientes sem recursos financeiros. Outro absurdo!

Para minha mãe, que decidiu morrer em casa, ao lado de sua família, aliviar sua dor ficou impossível. E não há um dia em que não me lembre de seu rosto e sua agonia. Muitas vezes minha irmã e eu nos perguntávamos se estávamos agindo certo em respeitar sua vontade, pois a impotencia que sentíamos diante o quadro e a evolução da dor nos deixava arrazadas. Mas somente no hospital ela poderia ser medicada com morfina.Porém, decidimos respeitar sua vontade, mesmo não entendo onde se encaixa o propósito do “morrer com dignidade e em paz” quando não se pode ter acesso a um medicamento tão importante e que justifique esse fim.

E essa triste experiência só me comprova o que já sabia: falha dos profissionais da saúde, quando a obrigação dos médicos e hospitais é proporcionar aos pacientes de quadros dolorosos os cuidados paliativos pertinentes. E o descaso com a dor alheia, uma vez que o compromisso médico só termina com a morte do paciente, esteja ele em casa ou no hospital.




quarta-feira, 20 de julho de 2016

Palavras e Pensamentos - energias poderosas!



É preciso ter cuidado com o que colocamos para dentro e fora de nossa boca. Palavras e pensamentos são energias poderosas que se perdem e duplicam ao vento.

Portanto sejamos responsáveis pelo bem ou mal daquilo que falamos ou pensamos, sem usarmos a desculpa de desconhecermos as leis universais.


Pense nisso...



terça-feira, 19 de julho de 2016

A vida é aquilo que você deseja.... diariamente!




No filme “A vida é bela” o personagem interpretado pelo ator Roberto Benigni, o judeu Guido Orefice e seu filho Giosué, são levados a um campo de concentração nazista. O pai, com o intuito de proteger o filho dos horrores e violência da guerra, usa de sua imaginação para fazê-lo acreditar que tudo não passa de uma grande brincadeira.

É um filme lindo, sensível e comovente. Depois de assiti-lo certamente nos pegamos pensando em quando foi que deixamos que a fantasia e a vontade de nos transportarmos para outra realidade se fossem, não é mesmo? E eu vou além: Por que a curiosidade vai se desfazendo? Por que algumas pessoas passam a querer cada vez menos? Por que deixamos minar ou morrer o desejo?

Não se trata de viver no mundo da imaginação, mas sim de manter um desejo puro, intenso e verdadeiro de saber mais e melhor sobre algo. De querer aprender o novo e não apenas aprender o que se gosta mais.Trata-se de desejar e querer fazer melhor, e não apenas faze-lo. De desejar realizar sonhos e não apenas projetá-los.


Pense nisso...







terça-feira, 12 de julho de 2016

“A minha pátria é a língua portuguesa”. Fernando Pessoa

                                                             
Recentemente na França descobri que a palavra “étranger” possui duplo sentido, pois tanto pode ser usada para “estrangeiro” como também para “estranho”, o que é certo, já que o estrangeiro é antes de tudo um estranho, um "intruso". Um “estar no mundo”, “entre mundos”. É aquele que se situa na fronteira. O fora do dentro. Hoje ainda insisto em escrever e falar português em um país de idioma espanhol. Sou uma estrangeira, e como tal ainda me sinto um pouco partida entre culturas, idioma, costumes e tantas outras coisas. Mas, como diz Pessoa, "a minha pátria é a língua portuguesa", então posso me sentir em casa em qualquer lugar, até porque meu lar sou eu, e o carrego para onde for.

Inquilina desse "hermoso" país, aos poucos vou me identificando e perdendo as referências do que conhecia como segurança e estabilidade, pois quem opta pela vida estrangeira sabe que é preciso gostar do "estranhamento".

Mudar de país significa, entre outras coisas, perder a referência de tudo aquilo que nos dá identidade e reconhecimento, ou seja, dar significados diferentes a tudo o que era familiar.






domingo, 10 de julho de 2016

Aperfeiçoando a cada dia a arte de não agradar a todos...



                                                

"As pessoas vão te amar, as pessoas vão te odiar e nada disso terá a ver com você”. Abraham Hicks

Portanto, se algo o desagrada em mim, use-o como sinalização para aquilo que pode melhorar em si mesmo. Isso pode aliviar a pressão de pensarmos que somos sempre os responsáveis por tudo.

Ótimo para refletir!!!







terça-feira, 5 de julho de 2016

Um olhar e muitos sentimentos!



Nesse momento estou em um voo noturno de Paris a Buenos Aires, voltando para casa depois de uma viagem de vinte e um dias pela Europa. 

Finalmente as luzes se apagam e todos se acomodam para dormir, o que para mim é praticamente impossível, pois me sinto tremendamente desconfortável nesse espaço tão reduzido - e nunca falta aquela pessoa que ao se acomodar invade o espaço alheio. 


Sem conseguir dormir, abro meu computador e revejo as imagens que fiz durante a viagem. Entre uma foto e outra, penso em Pierre Verger e seu discurso sobre o ato fotográfico.

Disse Verger, que o primeiro instrumento de trabalho de um fotógrafo, é o olhar - sem enfrentamentos -, seguido da câmera e do objeto fotografado. 

Concordo. Mas esse tal olhar não é um dom raro nem especial. Tão pouco é artístico. Pelo menos não necessariamente, pois qualquer um pode ter esse olhar, simplesmente porque é técnico e, como tal, passível de aprender-se. Fazer arte com uma câmera é outra coisa. Este sim é um dom. 


Mas deixando Verger de lado e refletindo sobre o tal jeito de olhar, me dou conta que muitas vezes errei a mirada. Não olhei para um determinado lugar como ele realmente merecia. Fui negligente na medida em que o enfrentei com meu olhar estrangeiro, ingênuo e despreparado. 

Em minhas andanças pelo mundo, tenho aprendido que viajar é mesmo uma arte, sobretudo porque o turista precisa de tempo e algum treino para desligar o seu olhar estrangeiro, e aceitar que isso é condição fundamental para ampliar as possibilidades de gostar do que vê. 

Olhares isentos costumam abrir caminhos, ainda que nem sempre garantam que, o que se vê, agrade.
Por ano milhões de pessoas entram num avião e atravessam meio planeta para conhecerem outros lugares. E o que nos move? Por que viajamos tanto? 

Isso jamais foi um mistério para mim. Viajo porque sou curiosa e inquieta. Porque sempre descubro um pouco mais de alguma coisa. Porque sempre aprendo muito sobre outras tanto. E porque sempre encontro algo mais em todas as coisas.





Istambul, Turquia

Istambul, Turquia

Istambul, Turquia

 Istambul, Turquia

Istambul, Turquia

Istambul, Turquia 

 Istambul, Turquia

 Istambul, Turquia

Istambul, Turquia 

Istambul, Turquia

Istambul, Turquia 

Atenas, Grécia

Atenas, Grécia

Atenas, Grécia

Atenas, Grécia

Paris, França

Atenas, Grécia

Paris, França

Paris, França

Paris, França

Istambul, Turquia 

                                  

                                                    







sábado, 2 de julho de 2016

Depois da transformação vêm a contemplação!








"Disse a flor ao pequeno príncipe: é preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas."  Em, O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.
Tudo tem seu tempo, ritmo e período de gestação. A vida é um processo e muitas vezes o tempo do Criador não coincide com o nosso. Mas precisamos seguir o ritmo da natureza que é tão sábia, fazendo da paciência seu maior aliado. 
Às vezes para construir é preciso antes de tudo desconstruir. E isso toma um certo tempo. Mas depois, passada a dor da transformação estamos prontos para a contemplação de uma nova vida.

Pense nisso....