sexta-feira, 24 de junho de 2016

Guerra - Degradação e derrota para todos!




                                                    



Heródoto entendia que, para compreender e descrever melhor o mundo fazia falta viajar. Deixar temporariamente a terra conhecida e descobrir novas histórias, novos lugares.  Estava convencido de que as culturas se misturam e que, inclusive quando há um conflito, não necessariamente há que se tornar uma guerra.

Em seus textos não havia palavras de ódio. Não havia inimigo ou aniquilamento. Quando escolhia alguma palavra dramática era somente para mostrar a desgraça humana dentro do conflito. Seu interesse era somente destacar as razoes das duas partes sem julgar, dando assim aos seus leitores as faculdades e os materiais necessários para que cada um formasse sua própria opinião.

Ocorre que recentemente voltei de uma viagem pela Europa e Ásia, e lembrei-me de Heródoto. Talvez seu nome tenha surgido na esperança de encontrar uma resposta mais ampla e elaborada para meus questionamentos desde então: Por que se faz a guerra? Como cada um de nós tem visto e vivido os conflitos pelo mundo?

A verdade é que cada um a mostra e sente como melhor convêm a seus fins. E até aí nada de novo, inclusive já que se sabe que as noticias quase sempre nos chegam distorcidas por razoes politicas ou simplesmente porque é mais conveniente assim.

Quando inicia um conflito, o que interessa não são as notícias, mas sim seus efeitos psicológicos. Os meios que as selecionam e as manipulam sabem que tudo ocorre debaixo do olhar das câmeras de televisão e viajam através da velocidade das redes. Sendo assim, em qualquer ponto do planeta alguém pode sentir-se envolvido emocionalmente com uma notícia ou não.

E o mundo é imenso, feito de linguagem diferente, rostos, cores, costumes, tradições, raças, credos e uma infinidade de outras coisas que, por desgraça não é possível descrever com números e dados, mas que me possibilitou unir a linguagem rápida da informação com uma linguagem mais reflexiva.

Eu estive verdadeiramente naqueles lugares. Vi e ouvi tudo o que acontecia ao meu redor. Vivi muitas situações. Algumas boas, outras nem tanto. Inclusive ao chegarmos a Istambul, fomos impedidos de deixar o navio por questão de segurança, pois havia ocorrido um atentado a bomba poucas horas antes.

Mas regressei dessa viagem com um material riquíssimo – alguns registrados em minha mente e outros na câmara fotográfica. O que me permite, em minha casa, com a calma e a paz que necessito tentar entender o que se passa no mundo.

Porém desde já tenho claríssimo: é evidente a ineficiência na gestão do controle, fluxo e integração das pessoas. O espaço europeu está cada vez mais globalizado e isso multiplica ainda mais os problemas sociais, econômicos e culturais. A crescente complexidade em torno desse assunto me mostra que é preciso muito esforço, recursos, empenho, flexibilidade, determinação, liderança e visão por parte dos políticos para que tenham sucesso na resolução desse enorme quebra cabeça, chamado imigração - ainda que esses atributos sejam raros e preciosos, certamente estarão ao alcance de países democráticos e avançados.

Portanto é urgente que reconheçam e conheçam a todos aqueles que já têm, e aos que vem a procura de abrigo, evitando assim a proliferação das máfias angariadoras de dinheiro, exploradores de mulheres e crianças nas ruas. Infelizmente um negócio crescente e lucrativo com base nessas massas humanas.

Por isso também é emergencial que aprendamos a olhar o outro, e não somente no sentido crítico, mas com a perspectiva de que ele integra a cada dia mais o nosso cotidiano.


E não esqueçamos: Em um mundo onde somos nós mesmos, simultaneamente o outro, não passamos de elementos de uma cadeia humana dinâmica onde é urgente a promoção para o desenvolvimento.