quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Aborto! Precisamos falar...




Há dias presencio uma verdadeira guerra de opiniões a cerca do aborto. E são duas frentes de batalhas. A primeira defende a prática, alegando que a mulher é um ser livre e tem o direito de escolha, principalmente quando envolve a maternidade. Ou seja, o corpo é dela e ponto. Sendo assim, religião, família, parceiro e sociedade não devem opinar. A segunda, por questões éticas, religiosas ou científicas é contra, pois entende que a decisão não cabe exclusivamente à mulher, já que abriga em seu corpo a vida de outro ser humano.

A verdade é que, concordando ou não, legalizando ou não o aborto sempre existiu e seguirá existindo. No Brasil, milhares de mulheres abortam todos os anos e, entre elas um número gigantesco sofre complicações decorrentes da prática malfeita, geralmente realizada em locais sem as mínimas condições de higiene ou segurança, o que leva essas mulheres a óbitos ou mutilações. Ou seja, proibí-lo não detém sua prática, só o torna perigoso e mortal.
E vale lembrar que não há relação direta entre sua legalidade e sua incidência. Portanto, ao legalizar esse direito as mulheres, isso não implicaria necessariamente no aumento da incidência de abortos induzidos. Ao menos não por esse motivo.

Mas afinal, o aborto deve ser legal e seguro ou ilegal e arriscado? Sem dúvida é uma pergunta difícil de responder. Por isso é preciso falar sem tabu, sem embaraço, sem medo e sem culpa.

Jovens e adultos fazem sexo. Sempre fizeram e sempre farão. O problema reside em quem tem menos informação e menor acesso a métodos contraceptivos, pois provavelmente estará mais suscetível a uma gravidez indesejada, principalmente quando essa gravidez ocorre fora do casamento. Mas fora ou dentro, jovens ou não, mulheres tem chegado ao extremo para interromper uma gravidez. E os motivos são muitos e cada uma sabe de seus porquês. Por isso se arriscam.

E arriscam porque nossa sociedade, como mostrou Foucault é dominada por uma vontade de verdade, seja ela qual for. O que vale aí é a atuação de procedimentos e mecanismos variados que possam controlar, selecionar, excluir e organizar os discursos como verdadeiros e falsos, e assim manobrar e ditar o que é certo ou errado, fazendo com que tudo aquilo que é dito como verdade passe a ganhar a condição de um discurso verdadeiro. E nesse jogo nojento e perverso de poder entre verdadeiro e falso, bem ou mal, historicamente as mulheres sempre foram vistas somente como um corpo, muitas vezes mentiroso e mal intencionado. Basta lembrarmos de Pandora, que na mitologia era tida como a representação do mal, ou Eva, que para os cristãos era a porta pelo qual entrava todo o pecado. Ambas representações femininas cujos corpos facilmente poderiam conduzir ao prazer, ao erro a injustiça e a mentira. 

E nas artes poderíamos citar exemplos como Madame Bovary e Anna Karenina, mulheres que protagonizaram romances do século XIX, obcecados pelo tema da infidelidade, em que mulheres sexualmente ativas enlouqueciam ou morriam. Ou seja, coincidência ou não, a verdade é que o corpo feminino culturalmente foi construído como algo do qual se deve ter cuidado e cautela, pois ele pode enganar e seduzir. E infelizmente este imaginário torto e nefasto ainda habita na cabeça de muita gente incapaz de reconhecer que as mulheres são pessoas plenas e integras em suas faculdades. 

Portanto é imprescindível que toda mulher tenha direito ao controle sobre seu corpo, respeito por suas decisões e projetos de vida, garantia de segurança caso opte pelo término da gravidez, apoio por parte de seus familiares, amigos e médico independente da opinião pessoal e reconhecimento por parte do estado legitimando essa escolha. E quando tudo isso seja possível, que os moralistas e os religiosos de plantão se abstenham de opinar, criticar e julgar.
Porque não somos Eva ou Pandora. Somos mulheres comuns e reais. Nem boas, nem más. Nem santas ou pecadoras. Apenas mulheres que erram e acertam. Mulheres que quando optam pelo aborto é porque já descartaram todas as possibilidades existentes, pois isso não é algo que se faça sem pensar.
É uma decisão dura e triste, pois decida o que decidir, a verdade é que essa mulher sempre irá perder algo. E quando tudo termine ela já não será mais a mesma, pois terá que conviver com o peso e as consequências de sua decisão.

E verdade seja dita: Maternidade não é um sonho mágico que se compra em uma banca da esquina. É um mar de responsabilidade e disponibilidade emocional em que se navega por águas turbulentas durante anos. É um trabalho árduo, onde se expõem as próprias vísceras para que a do outro possa crescer, se nutrir, fortalecer e se manifestar. E para isso acontecer é necessário muito mais que vaidade, autoafirmação, obrigação ou imposição. Não é à toa que algumas pessoas pensem o que pensem sobre aborto x maternidade, afinal, em uma sociedade que se ergue a partir de perspectivas que nos obrigam a conviver com a culpa, essa construção de séculos que só tem uma função social muito específica, que é controlar, causem tanto mal estar, desconforto e conflito em torno do assunto.
Talvez isso explique porque nós mulheres temos sempre a sensação de estarmos erradas. Mesmo quando estamos “dentro dos padrões”.


















terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A você, ainda tão presente, mas já tão ausente...


                                                               



“Anunciaram que você morreu 
Meus olhos, 
meus ouvidos testemunharam 
A alma profunda não 
Por isso, 
não sinto agora a sua falta”

 Trecho do poema A Mario de Andrade Ausente, de Manuel Bandeira.
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Lembrei-me desse poema agora á pouco, 
quando meu celular soou, 
lembrando-me que amanhã 
seria seu aniversário  
você faria setenta e um anos

A verdade é que me sinto meio Manuel Bandeira 
Porque sei que meus olhos e ouvidos testemunharam a sua morte, 
mas minha alma profunda, 
ainda não.
Por isso é estranho, 
saber que não vou poder ligar para você.





sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Natal – Quando mercadorias suprem vazios existenciais!


                                                     
E chegou dezembro! Mês que gera um Ímpeto irracional de compras – muitas vezes de coisas de que ninguém necessita ou sequer deseja –, seguida pelo trânsito insano nos grandes centros urbanos, as filas enormes nos shoppings e a imposição da compra de um número quase sem fim de presentes para familiares, amigos, colegas de trabalhos, doméstica, porteiro e assim por diante.

E aí vêm as perguntas: Será que passamos valores humanos para as crianças ao comemorar um Natal em que o presente é o mais importante da festa? Como consumir de forma mais consciente e crítica principalmente em épocas como o Natal, quando somos impelidos a consumir em excesso? Como acabar com os velhos hábitos consumistas que priorizam o ter, em detrimento do ser?

Não podemos negar que o consumo faz parte de nosso cotidiano. É um fator importante no processo de desenvolvimento econômico, pois aquece o mercado e a produção, gerando renda e empregos. Mas quando recebe o sufixo ismo essa prática tão trivial do dia a dia, vira doença - apesar do consumismo não ser visto dessa forma, e sim como um hábito aceito em nossa sociedade desde a infância, não só pelo estímulo incansável do mercado, mas também pela enorme pressão social que nos convida a consumir sem reflexão. Um hábito que agrega valor ao indivíduo onde bens e serviços funcionam como ingresso de trocas sociais e afetivas.

Uma pena, porque bom mesmo seria se encontrássemos uma maneira de fechar o ano com menos dívidas e mais afeto.

Pense nisso...

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Precisa mesmo dizer isso?

                                                        

A capacidade argumentativa das pessoas não deixa de me surpreender. Direito consagrado, o uso das faculdades intelectuais do homem para convencer o seu semelhante é uma poderosa arma que, como todas as outras podem ser usadas para o bem e para o mal, pois somos capazes de fundamentar ideias absurdas pelo simples fato de fazer prevalecer aquilo que pensamos e acreditamos como correto.

Sendo assim, apesar de ser uma defensora da liberdade de expressão, confesso que alguns argumentos me assustam, porque fica óbvio a total falta de informação por parte de quem passa e de quem recebe a mensagem. Ou seja, o sujeito não se informa, diz tolices e é aplaudido.

E a internet e as redes sociais são terrenos férteis para propagação dessa praga. Na rede aparentemente as pessoas sentem-se mais confortáveis com a própria ignorância. Sobretudo quando ela rende reações positivas dos leitores, o que cria nessas pessoas a falsa sensação de que o que pensam seja realmente a verdade. Um ato muitas vezes inconsequente, já que toda e qualquer opinião pessoal, onde não haja o mínimo de reflexão ou informação crítica sobre o que se diga pode tornar-se um perigo, pois todos querem ter razão e poucos são os que realmente se interessam em nortear o crescimento alheio.

Vejo isso diariamente. Principalmente quando o assunto é política, cultura e sociedade. Aí a coisa é ainda mais feia. Destila-se veneno, ódio e preconceito de maneira instantânea. Atiram para todos os lados em tom inflamado, fazendo provocações e afirmações polêmicas que geram ainda mais intolerância e radicalismo. E isso é avesso ao debate. 

Certa vez li alguém afirmar que a internet é uma escola de ódio. E acho que entendo o que essa pessoa quis dizer. As redes sociais tornaram-se uma ferramenta de busca por iguais, que simplesmente rejeita os diferentes.


Pense nisso...











sábado, 26 de novembro de 2016

Arrepio:Evidência de que ainda há algo vivo em nós...


                                                            

Arrepio: Evidência de que ainda há algo vivo em nós. Experiência de energia fluindo. Prazer e leveza. O horizonte aberto, espaço para ação, lucidez e a criação de sentido. Energia que define felicidade ou sofrimento, não importa em qual experiência aconteça.

Portanto, ao tratarmos a oscilação emocional tão comum a todos nós como um simples objeto passivo, como poderemos cultivar autonomia de energia para aguentar todos os percalços?
A resposta é colocando nosso bem-estar em primeiro lugar, sempre! E para isso precisamos mirar positivamente para os cenários e configurações da vida. Respirar com tranquilidade. Cultivar a certeza de que não precisamos de nenhum comando extra para que nosso coração pulse sozinho, pois não necessitamos que nossa energia seja vinculada a qualquer outra pessoa, coisa e assim por diante.
Manter o brilho no olhar sem que necessitemos nenhuma visão especial para que isso aconteça. Deixar de lado a necessidade irritante e urgente de querer consertar e ressuscitar o que morre a cada dia pois, como bem diz Caetano "tudo é uma questão de manter, a espinha ereta, a mente quieta, e um coração tranquilo". Ou seja, é preciso desentortar o corpo, liberar a mente das condições que nos intoxicam e asfixiam e operar com coerência e leveza sob as condições existentes. 
O importante é reencontrar e reconhecer as delicias de se estar vivo. Porque nós somos vida. Nós somos energia.


Pense nisso....









quinta-feira, 24 de novembro de 2016

E aí, como foi seu ano?


                                                         

Final de ano se aproximando e sempre surge alguém com aquela pergunta inevitável: "E aí, como foi seu ano?" É nesse momento que dou um sorriso, suspiro e digo: "Apesar de tudo, foi bom”.
Mas a verdade é que algumas vezes fica difícil continuar. Afinal, por onde começar quando o sentimento de jamais ser compreendida me invade e deixa claro o quanto essa tarefa pode tornar-se difícil. Não digo com relação a organizar os fatos em minha mente, mas sim em expressá-los, traduzi-los em palavras, pois por mais que eu me esforce, ainda assim algumas pessoas não entenderão o significado do que tem sido esse ano para mim.

Nas inúmeras definições que encontramos sobre a felicidade, uma diz que para sermos felizes requer que façamos um exercício diário, o que acredito e prático, porém penso que a felicidade surja com toda sua magnitude quando não estamos obcecados a sua procura. E muitos momentos felizes de minha vida se fizeram assim, simplesmente no acaso.

E foi assim, de uma forma surpreendente que o acaso abriu-me a porta e disse: "Ei Denise, acorde, porque o coelho já passou".
E então o que era felicidade deu lugar a tristeza. E foi quando me vi no olho do furacão, e chorei. Chorei tudo o que não tinha chorado nos últimos tempos. Chorei para arrumar as gavetas do passado e abrir lugar para o futuro, guardando cuidadosamente cada memória no seu devido lugar. 

E o que fica, o que ajuda a manter a tal felicidade é a sabedoria em zelar por cada momento vivido, sem ficar triste quando algo chegue ao fim, mas sim em gratidão, por tudo o que se há vivido.





terça-feira, 22 de novembro de 2016

Quatro meses sem você...






Hoje, quatro meses que você nos deixou 
E assim vamos 
levando conosco a saudade 
esse sentimento de querer trazer para o presente
o que já não está mais 
Mas os ventos 
quando nos tiram algo que amamos 
são os mesmos ventos que nos trazem algo que aprendemos a amar  
E assim é a vida e seus ciclos
ora nos dando 
ora tirando 
Saudade mama, 
muita! 
Mas vamos aprendendo a acomodar





domingo, 23 de outubro de 2016

Homens que temem mulheres sem medo...







Certa vez escrevi sobre o medo, e ao final do texto lancei as seguintes perguntas: E você, do que tem medo? De quais foge e quais encara? E para minha surpresa um amigo respondeu: Eu tenho medo de você!



A mulher se comunica com cada ínfimo pedaço de seu ser. Com todas as várias camadas de consciência e suas múltiplas nuances de voz. Comunica-se com tamanha riqueza de atributos que para alguns homens isso deve beirar a loucura. Um verdadeiro sinalizador de perigo, pois já nao somos mais aquelas criaturas fascinantes e confusas, insondáveis e cheias de lugares secretos. Somos o que somos. Analíticas, livres, ponderadas, centradas e cheias de vontades. 

Infelizmente ainda há homens que vêem a uma mulher como a quem vê um animal selvagem, e se acovarda entre o fascínio e o terror, pois mantém um pé entre a modernidade e o outro no machismo. Uma pena!






sábado, 15 de outubro de 2016

Amor em tempos modernos







Bauman revela que na construção do amor líquido é idealizada a busca de satisfação com o outro e o divertimento sem fronteiras, cujo objetivo seria aproveitar o tempo presente. Sendo assim, nessa perspectiva não há porque se preocupar com o passado nem com o futuro de uma relação, já que o presente é vivido sem limites. Ou seja, o compromisso com o outro, tanto no namoro como nos projetos de vida não é bem-visto, porque ele limita a liberdade individual.


Me parece que o amor, para algumas pessoas se caracteriza, na maioria das vezes como um ato arriscado e perigoso. Essas pessoas temem amar plenamente porque não querem ser usadas no máximo de suas capacidades. Algumas porque querem viver sem limites e sem fronteiras, já outras porque temem investir significativamente em um relacionamento e depois ser excluídas, quando a relação demonstrar seus primeiros sinais de desgaste...

Dificil...






sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Quando o passado marca presença...






A força do passado marcou presença e não resisti. Cumpri percurso por cenários que fizeram parte de minha vida e me pergunto: Como lidar com o que ficou para trás, se ao se transformar em passado os afetos e desafetos não desaparecem, simplesmente mudam? E o que era amor passa a ser ressentimento? O que era doce se azeda? E o que era mágoa vira impulso de morte?


A vida para ser completa e concluir o seu ciclo precisa incluir paradoxalmente o momento da separação, da perda e do fim. Mas como lidar com o que vem depois? A dificuldade em conviver com os momentos congelados, quando o passado nem sempre passa e vem feito um pesadelo recorrente, como uma sala cheia de fantasmas? Às vezes "ficar para trás" é somente força de expressão. E das mais inadequadas.
















domingo, 28 de agosto de 2016

Lembranças...hoje meu pequeno tesouro!






Hoje, a propósito de tudo ou nada me peguei pensando em quantos caminhos percorro na mente das pessoas, e elas na minha. No quanto posso ser transportada através da memória para épocas e momentos distantes. Pode ser apenas uma sensação. Mas quando penso em uma pessoa querida, alguém que me deixa saudade, então esse pensar me traz esse alguém ao presente, me faz presente um momento especial que ficou no passado ou me faz presente um momento que nem aconteceu ainda, ou nunca acontecerá. E isso é simplesmente alentador.


O que seria de nós, simples mortais sem o as lembranças para nos acompanhar? Por certo viveríamos muito mais no aqui e agora, mas com o risco de cairmos num imenso vazio, já que não teríamos a bagagem das lembranças, que em muitos momentos é o que faz a grande diferença.





sábado, 27 de agosto de 2016

Ser diferente...





"Quando perdemos o direito de ser diferente, perdemos o privilégio de ser livre."

Charles Evans Hughes


Pense nisso...







domingo, 14 de agosto de 2016

Escuta quem sente...




Quando andamos 
não quer dizer necessariamente que caminhamos, pois muitas vezes andamos sem ter o menor objetivo traçado.
E o mesmo acontece ao ouvirmos um som qualquer, pois isso não implica em afirmarmos que realmente o escutamos.


Escuta aquele que busca ouvir o que não foi dito, o que ficou na entrelinha.
Conheço muita gente que ouve, mas na verdade sem escutar absolutamente nada.




Pense nisso...







sábado, 13 de agosto de 2016

"Recuerdos" tarde de chá....




Percorremos a estrada molhada
 e um enorme céu cinza por cima 
insistia em nos acompanhar

Vez ou outra ali brotava
 um pedaço de luz entre as nuvens 
e via-se então toda a fragilidade do azul esmaecido
como que perdido, entre os múltiplos e difusos tons de cinza

Mas aos poucos foi clareando
devagar
e nós, 
só esperando para ver o sol bater e se firmar

Mas choveu e choveu
aí só mesmo um cházinho para a tarde espichar

E foram tantas "charlas", 
sabores, odores e risos
que temos que voltar 
a loja de chás 




Um tarde na Tienda do Té em Montevideo, agosto de 2015








Não exija o que não pode dar...



Quem não ama a si mesmo não conseguirá amar o outro, muito embora saia exigindo do mundo este mesmo amor que não consegue se dar.

Talvez isso explique tanto medo, insegurança e arrogância que temos visto por aí.


Pense nisso...








segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Envelheça do seu jeito e seja feliz...





Mas afinal, qual é a cara da velhice? São tantas as associações negativas relacionadas à velhice, e tantos os estereótipos que refletem ideias errôneas, prejudicando e gerando uma imagem distorcida sobre ela, que quando vemos imagens como essa, a primeira coisa a que nos remete, é a falta de noção.
Mas a velhice como quase tudo na vida é experiência individual que pode ser vivenciada de forma positiva, e não obrigatoriamente precisa estar em consonância com a representação de velhice que ainda está enraizada na sociedade em que vivemos.

Uma sociedade de consumo na qual apenas o novo pode ser valorizado, caso contrário não existe produção e acumulação de capital. E nesta dura realidade o velho passa a ser ultrapassado, descartado e fora de moda - e quando tenta estar na moda é rapidamente taxado de ridículo. Mas então qual seria a idade da velhice? Eu, aos 54 anos me considero jovem, pois acredito que ao envelhecer mantenhamos nossas dimensões de personalidade, aquelas que tecemos ao longo de toda a nossa vida, ou seja, é o tratamento dado aos anos o que nos torna diferentes e faz com que possamos escolher como envelhecer. Por isso, determinar o início da velhice pode ser uma tarefa complexa porque é difícil a generalização em relação a ela, já que existem distinções significativas entre diferentes tipos de idosos e velhices.

Conheço muitas mulheres na faixa dos 60 que são lindas, atuantes, desejáveis, descoladas e muito, muito alegres. Por isso penso que a idade cronológica refere-se somente ao número de anos que tem decorrido desde o nosso nascimento, e que as divisões cronológicas da vida do ser humano não são absolutas, por isso a velhice não é definida por simples cronologia, mas pelas condições físicas, funcionais, mentais e de saúde da pessoa.
Idade é uma categoria embutida dentro dela mesma, discutível e obsoleta em que a velhice nada mais é do que uma construção social, onde o preconceito continua florescendo. Portanto o importante é ser quem se é! Usar o que se gosta e esquecer a opinião do outro, até porque nunca vamos agradar a todos.

A boa notícia é que a sociedade contemporânea gradualmente vem se flexibilizando com relação ao vestuário dos idosos, e assim ganhando espaço frente à rigidez, o que permite que essa “modernidade” promova uma certa liberdade no espírito, deixando para trás o lastro das nítidas identificações tradicionais possibilitando a todas nós uma imagem mais livre, leve e com mais frescor.
Ao longo do tempo, a imagem da mulher ao envelhecer vem se equilibrando entre as regras tradicionais e os modelos recentemente inaugurados. Não queremos mais nos resumir à condição de avó, nos moldes de vida chamado de “terceira idade”, que induz a mulher automaticamente a ocupar velhos espaços e mudar de atitude frente à vida.

Portanto, o importante é estar bem e feliz consigo mesma, ainda que aos olhos dos outros possamos parecer ridículas ou até mesmo vulgares, pois isso não passa de inveja ou falta de personalidade para assumir-se como é ou gostaria de ser - mas não o faz porque não consegue romper com os velhos padrões.

Amo mulheres descoladas, livres e sem preconceito. O mundo já está cheio de gente chata, engessada e cheia de valores equivocados.









domingo, 7 de agosto de 2016

Agradeça pela sua vida....





A vida não é uma reminiscência do passado ou uma perspectiva organizada do futuro e nem tão pouco um link do cotidiano presente.

Viver é renovar o que já se experimentou. É inventar e reinventar. Dois verbos intransitivos para se viver e ver a vida. Por isso agradeça às forças na qual acredita. Agradeça, apesar de... Agradeça porque por mais que tenha perdido, ainda têm e sempre terá.

Basta que olhe para o lado e perceba quantas graças enchem suas mãos. Então, peça apenas e tão somente para que a fé permaneça dentro de você.


Pense nisso...



Uma excelente semana a todos!



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

E você se foi...




A morte pertence à vida, como pertence o nascimento. O caminho tanto está em levantar o pé, como em pousá-lo no chão.

TAGORE,  em Pássaros Perdidos, CCLXVII




Em nome da mãe inaugura-se a vida, e em nome da inexorabilidade chegamos ao fim. Mas tivemos o privilégio de tê-la em nossas vidas como mãe, avó, bisavó, sogra, tia, amiga, confidente e, independentemente do tempo que permaneceste, foi o suficiente para amá-la e honrá-la.

Sua essência sempre estará misturada a minha alma fazendo a diferença no que sou, penso, sinto e faço, pois fomos e sempre seremos essa amálgama constante do nosso encontro aqui na terra.

E se hoje me sinto como uma minúscula partícula suspensa no breu do vazio que você deixou, há em mim uma réstia de sol poderosa e insistente, reinventando à sua luz, o que em mim deve permanecer: Nossos anos de convívio. A prova de que cada um é importante, e que ninguém se aproxima do outro por acaso.

  
Vou sentir muita saudade mama! Sempre e para sempre!




quinta-feira, 21 de julho de 2016

Desabafo...




Houve um tempo em que a medicina tratava os doentes nos hospitais, enquanto considerava haver possibilidade de cura. Porém, não havendo mais essa possibilidade aconselhavam as famílias a levarem seu familiar enfermo para morrer em casa, o que, segundo eles era a forma mais digna para morrer em paz. E isso geralmente acontece quando se esgotam todos os recursos terapêuticos, então a alternativa é liberar o doente para passar seus últimos dias de vida em casa, ao lado dos familiares e deixando o leito livre para ser ocupado por outro paciente com chance de sobrevida.

E essa nova concepção de atendimento fez surgir o chamado “cuidado paliativo”, que é mitigar o sofrimento introduzindo medidas farmacológicas, como o uso de analgésicos e de medicações que atuem sobre a dor e a falta de ar, por exemplo, fazendo com que a pessoa sinta-se no mínimo confortável, apesar de não interferirem na evolução da doença de base. Mas pela experiência que estamos vivendo, e o relato de outras família que passam pela mesma situação, a coisa não funciona exatamente assim.  A começar pela falta de informação adequada com relação a complexidade que envolve todo esse processo. 

Os recursos para tratar um doente terminal deveriam ser melhor explicados. Os médicos não poderiam deixar que as famílias saíssem dos hospitais na ignorância, porque o compromisso de um médico não acaba diante da impossibilidade da cura. Ele tem a obrigação de aliviar os sintomas e proporcionar um final de vida mais digno ao seu paciente, pois só assim evitaria que no ápice da dor, ele suplique para morrer. E quando isso acontece, obviamente é sinal de que o paciente não está recebendo adequadamente os cuidados paliativos, principalmente os pacientes de oncologia, como é o caso de minha mãe, onde infelizmente todos os recursos terapêuticos já foram esgotados. Para ela de nada adianta prescrever analgésicos comuns, quando é sabido que o mais eficaz é a morfina. 

E o que fazer quando as dores não cedem e são insuportáveis? Dar doses mais altas de analgésicos ou de outras drogas para aliviar o sofrimento e deixá-la ainda mais debilitada? Sem receber o remédio adequado, no caso a morfina, o sofrimento dela é insuportável. E aí me pergunto? Por que mandar para casa se sabem o que vai ocorrer? Por que não liberar a morfina para casos assim, pois essa é exatamente a posição defendida pela Organização Mundial de Saúde, ou seja, utilizar medicações mais pesadas porque são absolutamente necessárias para evitar o sofrimento sem a intenção de encurtar a vida do doente?

Pois é, mais uma coisa que não se explica. Embora a morfina seja o melhor dos analgésicos, no Brasil prescrevê-la é uma dificuldade, começando pela exigência de um receituário especial. Além disso os derivados de morfina disponíveis no mercado são vendidos a preço muito alto, o que inviabiliza sua utilização por pacientes sem recursos financeiros. Outro absurdo!

Para minha mãe, que decidiu morrer em casa, ao lado de sua família, aliviar sua dor ficou impossível. E não há um dia em que não me lembre de seu rosto e sua agonia. Muitas vezes minha irmã e eu nos perguntávamos se estávamos agindo certo em respeitar sua vontade, pois a impotencia que sentíamos diante o quadro e a evolução da dor nos deixava arrazadas. Mas somente no hospital ela poderia ser medicada com morfina.Porém, decidimos respeitar sua vontade, mesmo não entendo onde se encaixa o propósito do “morrer com dignidade e em paz” quando não se pode ter acesso a um medicamento tão importante e que justifique esse fim.

E essa triste experiência só me comprova o que já sabia: falha dos profissionais da saúde, quando a obrigação dos médicos e hospitais é proporcionar aos pacientes de quadros dolorosos os cuidados paliativos pertinentes. E o descaso com a dor alheia, uma vez que o compromisso médico só termina com a morte do paciente, esteja ele em casa ou no hospital.




quarta-feira, 20 de julho de 2016

Palavras e Pensamentos - energias poderosas!



É preciso ter cuidado com o que colocamos para dentro e fora de nossa boca. Palavras e pensamentos são energias poderosas que se perdem e duplicam ao vento.

Portanto sejamos responsáveis pelo bem ou mal daquilo que falamos ou pensamos, sem usarmos a desculpa de desconhecermos as leis universais.


Pense nisso...



terça-feira, 19 de julho de 2016

A vida é aquilo que você deseja.... diariamente!




No filme “A vida é bela” o personagem interpretado pelo ator Roberto Benigni, o judeu Guido Orefice e seu filho Giosué, são levados a um campo de concentração nazista. O pai, com o intuito de proteger o filho dos horrores e violência da guerra, usa de sua imaginação para fazê-lo acreditar que tudo não passa de uma grande brincadeira.

É um filme lindo, sensível e comovente. Depois de assiti-lo certamente nos pegamos pensando em quando foi que deixamos que a fantasia e a vontade de nos transportarmos para outra realidade se fossem, não é mesmo? E eu vou além: Por que a curiosidade vai se desfazendo? Por que algumas pessoas passam a querer cada vez menos? Por que deixamos minar ou morrer o desejo?

Não se trata de viver no mundo da imaginação, mas sim de manter um desejo puro, intenso e verdadeiro de saber mais e melhor sobre algo. De querer aprender o novo e não apenas aprender o que se gosta mais.Trata-se de desejar e querer fazer melhor, e não apenas faze-lo. De desejar realizar sonhos e não apenas projetá-los.


Pense nisso...