terça-feira, 26 de maio de 2015

Seja simples, seja simplesmente você!



                                                                  

Meus olhos andam tão distraídos pela multiplicidade de ornamentos que vejo a minha volta, que muitas vezes acabo perdendo o todo devido a atenção minuciosa que dedico às partes.

O mesmo acontece com minha mente diante do esforço que algumas pessoas fazem para brilhar e me surpreender.

Seja simples!
Seja simplesmente você!






Uma excelente semana a todos!



sábado, 9 de maio de 2015

Uma extraordinária mulher...

                                                       



Irena Sendler, praticamente desconhecida fora da Polônia e reconhecida em seu país por alguns poucos historiadores é hoje minha inspiração como homenagem ao dia das mães.

A história de Irena começa a ser reconhecida em 1999, quando um grupo de alunos de uma escola no interior do Kansas,USA inicia um trabalho sobre os heróis do holocausto e descobrem que Irena havia salvado cerca de dois mil e quinhentos meninos.
Supondo que já estivesse morta, passam então a buscar pelo local de seu sepultamento, o que acaba culminando em uma grande surpresa ao descobrirem que Irena ainda estava viva.

Sua história começa em 1939, quando a Alemanha invade o país e Irena vai trabalhar como enfermeira no Departamento de Bem Estar Social de Varsóvia.
E segue no mesmo local até 1942, quando os nazistas criam um gueto e Irena, horrorizada com as condições de vida no local une-se ao Conselho para Ajuda aos Judeus. Rapidamente consegue identificação da Oficina Sanitária e passa a trabalhar no controle a doenças infecciosas, o que lhe ajuda em seus propósitos, pois os alemães com medo de que se desencadeasse uma epidemia de tifo, aceitam que os poloneses controlem o local. Irena passa então a procurar as famílias e se oferece para levar os meninos para fora do gueto.

Foi quando surgiu a ideia de criar um arquivo onde registrava o nome de cada menino e sua nova identidade. Escrevia em pequeninos pedaços de papel e os colocava dentro de vidros de compotas, que depois os enterrava cuidadosamente aos pés de uma macieira no jardim de seu vizinho.
Mas em 20 de outubro de 1943 Irena é levada a prisão pela Gestapo, e lá é brutalmente torturada. Quebram-lhe pés e pernas, mas não conseguem faze-la falar. É condenada a morte, mas sua sentença nunca se cumpriu, pois a caminho de sua execução um soldado a deixa escapar.

Com o término da guerra, Irena desenterra os vidros de conserva e vai atrás de seus 2.500 meninos e suas famílias adotivas. Aos poucos os devolve, um a um a suas famílias de origem - alguns não tiveram a mesma sorte, seus familiares haviam sido mortos em campos de concentração.

Sobre Irena os meninos salvos só conheciam seu apelido: Jolanta. Anos mais tarde, quando sua historia foi contada e suas imagens da época foram divulgadas, só então algumas pessoas a reconheceram. 

Irena viveu muitos anos em uma cadeira de rodas. Nunca se considerou uma heroína, tão pouco reivindicou créditos por suas ações, ao contrário, sempre disse que poderia ter feito mais.

Irena em silêncio fez a diferença. Cumpriu com coragem e amor sua missão.
Uma verdadeira mãe.









quinta-feira, 30 de abril de 2015

Dentro, fora...

                                                                                                               




Quem dá nome as coisas, 
o faz para chamar de suas.
Nomear é tornar íntimo, 

é trazer para dentro.
Dentro é lugar conhecido.

Fora o caos não veste nomes.

Dentro as coisas vêm sob o signo da permanência,

nem por isso destituídas de conflitos.













sábado, 18 de abril de 2015

Que seja infinito o que nos faz bem...





Cedo ou tarde chega o momento em que não dá mais, então tudo aquilo que era silêncio encontra uma saída e se torna voz. 
E é nesse momento que a ruptura deixa de ser uma ideia, tornando-se uma necessidade. E foi o que aconteceu.

Comecei com um basta a tudo que me incomodava:o pacote de críticas e desculpas que eu carregava, o tempo em fragmentos que me desesperava, e todas as minhas decisões tantas vezes adiadas.

E então eu finalmente fechei um ciclo. E foi um aprendizado enorme. E não somente acerca das atividades do dia a dia, mas principalmente no que se refere ao espírito humano, pois lidar com pessoas é algo interessantíssimo, já que elas podem ser tão fantásticas quanto cruéis.

Quando penso no que deu errado, percebo que não sei exatamente quando e nem porque passei a me sentir desconfortável com a falta de vida, mesmo quando tudo aparentemente parecia ir bem, ou seja, as contas pagas, a saúde controlada, os filhos seguindo o próprio caminho, o sonho da casa própria realizado, planos de viagens, enfim, tudo certo, controlado e organizado.

Te parece tentadora esta possibilidade de ter uma vida perfeitamente previsível e controlada? Mas não será exatamente essa previsibilidade excessiva que adormece os sentidos e nos coloca no piloto automático? Não será essa repetição incessante dos dias que nos causa tanta estranheza e solidão? Será possível sentir-se viva, verdadeiramente viva no seu sentido pleno e absoluto sem momentos de surpresa? 

Me fiz essas perguntas inúmeras vezes e, se pudesse ter a oportunidade de reescrever minha vida escolhendo o início, meio e fim, definindo tudo de forma inspirada e planeada ao colocar o ponto final tudo estaria fechado novamente, sem possibilidade de alterações posteriores e sem surpresas.

Felizmente eu não tenho e nunca tive dificuldade de aceitar e lidar com a ausência de controle, pois sei que a imprevisibilidade é inerente à vida. Venho de uma família de mulheres fortes, ativas e atuantes. Mulheres de múltiplas histórias para contar. Mulheres com vontade e curiosidade pelo novo. Mulheres capazes de reinventar-se sempre, e não permitindo que os contratempos justifiquem que a vida lhes passe a canto.

Por isso, onde quer que eu chegue, chego com a certeza de que é preciso me reinventar, mesmo que para isso eu precise desmoronar primeiro e me estilhaçar em pedaços, mas sabendo que terei autonomia para juntar cada pedacinho e ser novamente eu, recomeçando do meu jeito, como sou e sabendo exatamente a diferença entre o que é dor e desconforto.

Desafiador? Sim, mas preciso enfrentar meu próprio caminho, mesmo que isso represente tropeçar em minhas próprias pedras. Preciso reaprender a gerir minha própria vida e sentir-me suficientemente firme em qualquer solo que pise. Preciso voltar a sentir na pele a brisa da imprevisibilidade, a magia da surpresa e a energia da vitória, pois só a reconhece como tal quem muitas vezes já perdeu.


Agarrar a vida com as próprias mãos pode implicar em saltar rumo ao desconhecido. Então que assim seja, porque quero sentir a mudança dos ventos em tempo real, mesmo sabendo que nesse momento o corpo poderá doer, a visão poderá não me devolver o que espero ver. Mas o prazer de me sentir inteira no mundo e agarrar com firmeza no leme da minha própria vida, será recompensador.















Enfim, primavera...





Ohio, USA durante minha visita ao país em 2015.


Eu não poderia deixar de capturar essas cores,
apenas como elas aparecem nos primeiros dias de primavera

Essa paleta monocromática de tons maravilhosamente macios e suaves do amanhecer...

Esse cheiro de palha colhida, trigo maduro,
grama recém cortada...

E esse aroma picante de lavanda...

Já é primavera por aqui 
e posso sentir o vento trazendo seus pequenos tesouros









domingo, 12 de abril de 2015

Círculo...


                                                                 


Círculo! Forma perfeita onde dois pontos se encontram formando um elo, uma união. É onde todos podem ser vistos. Onde ninguém está à frente ou atrás.

Também pode simbolizar o dar e receber contínuo em nossas vidas, ou seja, enquanto estou dando com uma mão, com a outra estou recebendo.

Dar e receber. Tem pessoas que sabem dar, mas não sabem receber, e vice-versa.

Há aquelas que morrem de medo de dar e lhes faltar.

Há aquelas que estão sempre dando e nunca nada lhes falta, ao contrário, parece que estão sempre em estado de abundância e gratidão.

Mas onde será que está o ponto de equilíbrio entre dar e receber?


Para mim está no simples movimento que se dá quando nos entregamos de coração ao fluxo da grande energia que rege o universo: o amor a outro ser humano. Quando passamos a conhecer a medida das coisas e a saber ouvir as próprias necessidades e as necessidades do outro, sem contabilizar ou cobrar.


Quando passamos a entender profundamente cada momento e cada pessoa do jeito que se apresenta. Quando nos damos conta de que o que realmente importa não é o dar ou receber, porque tudo faz parte de um só movimento: dar é receber, receber é dar. Simples assim!



Pense nisso...



Uma excelente semana a todos!












segunda-feira, 6 de abril de 2015

Mantendo o fluxo...


                                                              


Muitas vezes reclamamos da ausência de fluxo em nossas vidas. Encontre seu estado de paz, liberdade e unidade em tudo o que há, e sua vida fluirá.



Uma excelente semana a todos...








quinta-feira, 2 de abril de 2015

Gota d' água...




A gota que transborda
só me causa surpresa
quando não percebo
     o que ocorre na superfície.







quarta-feira, 1 de abril de 2015

Inevitável...




Não sei se há um momento chave,
muito menos sei descrever a gota no momento do transbordo.
Seu tamanho, densidade ou relevância.
Só sei que a condição que exige o desencadeamento de uma mudança, 
é quase sempre o fim de sua validade.


quarta-feira, 25 de março de 2015

Eu sou aquela...






Eu sou aquela cuja imaginação expurga os mistérios da vida

que encarna o rebelde, o indomável, o instintivo


Aquela que desnuda seu corpo 

que sofre e se deleita


Eu sou aquela que anda pelo terreno do irracional 

caminha sobre brasas e sorri


Aquela que escuta o som dos ventos

que cultua o sagrado e tudo o que rege o universo


Eu sou aquela que segue a natureza de seus ensinamentos 

habita o subterrâneo selvagem e o fogo interior cuja chama só cresce


Aquela solitária por escolha

porque assim atribuo liberdade ao meu caminhar


Eu sou aquela que possui a esperteza das lobas 

corre entre elas, mas sobrevive sem sua matilha


Aquela cuja amiga é a lua 

a que dança na terra fértil e chafurda na lama


Eu sou aquela que caminhada diante do espelho

grita, sussurra e vai até os ossos


Aquela que busca o prazer na alegria de perambular 

se maravilhar, escrever, cantar e criar 


Eu sou aquela que caminha sobre a senda mística 

viaja pelos céus, vêm com as tempestades 
e vai com um leve sopro de vento


Aquela que quando o coração é tocado 

os pés logo se agitam para dançar


Eu sou aquela que habita no vendaval,

corre, toca e é tocada


Aquela em que tudo cresce e floresce

mas não reside no ir ou no ficar


Eu sou aquela que sobrevive a ausência,

mas não ao trecho de uma canção


Aquela que se debruça sobre os mapas 

e descobre que essencial é qualquer lugar que a faça feliz


Eu sou aquela que agora abre as portas mais secretas 

e vai pedindo força e chamando a luz


Aquela que reza por mim, por nós e todos nós 

desde a virgem descalça a atração vulgar 
de uma esquina qualquer


Eu sou aquela que toca o tambor,

impulsionando todos os sentidos e significados


Aquela que fecunda, acolhe e aprende a repartir o pão nosso de cada dia



Eu sou aquela que na diversidade dos saberes

descobre-se sempre aprendiz


Aquela que tece a vida a cada dia

sempre com a possibilidade de sonhos possíveis


Eu sou aquela que na extraordinária complexidade da vida 

no misterioso movimento que faz
reencontro a mulher perdida e recupero a pequena menina


Aquela que no agora vislumbra um rumo e vai aprendendo


a ser mais, sempre mais