segunda-feira, 28 de abril de 2014

O que faz a diferença?


                                                                 


Recentemente li uma matéria que sugere que o cavalheirismo é apenas uma forma disfarçada de machismo, ou seja, uma estratégia de manutenção a suposta “superioridade masculina”, e teria encoberta a função de ritualizar a imagem social da mulher como submissa e dependente.

De imediato pensei: E daí, já se foi o tempo em que deveríamos considerar como qualidade marcante ou essencial o fato do homem abrir a porta do carro, encarregar-se de pagar a conta no jantar, levar nossas bolsas e sacolas ou simplesmente nos oferecer o braço para atravessarmos a rua com maior segurança, porque na verdade não é isso que verdadeiramente importa.

Mulheres modernas sabem que cavalheirismo não passa de um desejo mitificado, e que a verdadeira noção de cavalheirismo reside num contexto geral, e não somente numa regra social de boa conduta e bons modos.

Mas aí você deve estar pensando: Mas esses gestos são bacanas, não são? Sim, mas não tão importantes diante tantas outras coisas. É como disse a socióloga Tica Moreno: “Cavalheirismo acontece em espaço público, já a violência no privado”. Ou seja, não adianta o cara ser todo gentil na frente dos outros, cobrindo uma poça d’água para a mocinha passar se depois, a quatro paredes desce o pau, revelando assim seu verdadeiro caráter e intenção.

Penso que o verdadeiro cavalheirismo reside na reciprocidade, que é a sensibilidade de quem sabe perceber o outro e ficar atento o dia inteiro sem esforços e malabarismos. O que para mim é absolutamente essencial, pois com ela aprendemos a manejar lenta e gradualmente a busca pelo equilíbrio e felicidade nas nossas relações.
O que não se aplica somente a vida afetiva e pessoal, mas na profissional também.


                                              



terça-feira, 22 de abril de 2014

Dia da Terra!

Como parte da história do universo em desenvolvimento, celebramos nosso parentesco não apenas com os outros seres humanos, mas também com todas as outras formas de vida. Começamos a descobrir o nosso nicho. Percebemos que não somos apenas parte da humanidade, mas da Terra; não somos simplesmente seres humanos, mas seres do universo. Como tal, somos distintos não apenas pela consciência reflexiva, mas pela inteligência de admiração também... Juntamente com a gratidão e reverência , a admiração pode ser uma chave para liberar o potencial de florescimento de nossa espécie e do nosso planeta”
                                                    Mary Evelyn Tucker


                                           Imagem: Google

Hoje, dia da Terra, nossa casa, nossa Mãe, fonte de toda vida, compartilho com vocês a belíssima “Oração de Intercessão Nativo Americana” para que em silêncio possamos falar ao coração e humildemente nos coloquemos em profunda gratidão pelo Planeta.

Tradicional Oração de Intercessão Nativo Americana:

Oh grande Espírito, cuja voz ouvimos no vento,
cujo sopro dá vida ao mundo inteiro
ouvi-nos, precisamos de sua força, e de sua sabedoria.
Caminhemos na beleza, e façamos com que nossos olhos sempre
contemplem o pôr do sol vermelho e púrpura.
Faça com que nossas mãos respeitem as coisas que você criou,
e que nossos ouvidos fiquem abertos para ouvir sua voz.
Torne-nos sábios para que possamos entender
as coisas que você ensinou ao nosso povo.
Ajude-nos a manter a força e a calma diante
de tudo que surgir em nossa direção.
Que possamos aprender as lições que você ocultou
em cada folha, em cada pedra.
Ajude-nos  a buscar pensamentos saudáveis
e a agir com a intenção de ajudar os outros.
Ajude-nos a encontrar a compaixão, sem a empatia nos subjugando.
Busquemos a força para não sermos maiores que nosso irmão ou irmã,
mas para enfrentarmos o nosso maior inimigo – nós mesmos!
Faça-nos sempre prontos para chegar até você,
com as mãos limpas e franqueza no olhar
pois assim, quando a vida se esvair, como o pôr do sol se desvanecendo,
nosso espírito poderá chegar até você sem desonra.


Lindo não é mesmo? Eu digo amém! E como filha da Mãe Terra, esse planeta que habito com tanto amor e gratidão, desejo de todo coração que possamos encontrar formas de viver em equilíbrio e harmonia. Que possamos nos tornar profundamente conscientes de que esse é um lugar único, especial e sagrado. E que em comunhão possamos todos ouvir o seu chamado, pois só assim as futuras gerações poderão ver nossos rios fluírem, as sementes brotarem, os vales, montanhas, florestas e campos verdejarem.

Mas para que a natureza siga adiante, devemos reconhecer que no meio dessa magnífica diversidade somos uma imensa família, uma comunidade com um destino comum. E o bem estar dessa comunidade, assim como a preservação do planeta é um dever nosso.


Pense nisso...


quinta-feira, 17 de abril de 2014

O gringo que viu o que os gringos não devem ver! Será?




Após ler a postagem “Um gringo que viu o que os gringos não devem ver” no blog Meus Devaneios Escritos de Silvana Haddad, penso no quanto as histórias se mesclam, entrelaçam e falam por si só, fazendo com que eu me sinta cada dia mais incomodada e enojada, pois do ponto de vista ético e moral descemos cada vez mais baixo.

Enfrentar as dificuldades da vida não é fácil, porém difícil é constatar que grande parte da minha insatisfação é gerada por um governo que não consegue sequer administrar de forma digna e satisfatória os recursos públicos em favor de seu povo. Um governo moralmente falido, com discursos desgastados, mentirosos e corrompidos.

É injusto e indigno ter que sair as ruas todos os dias para trabalhar ou estudar e confrontar-se com o medo de não sobreviver, virando mais um número da interminável estatística de violência urbana que certamente faria inveja até ao mais temido membro da Al Qaeda, por
que a violência tomou proporções alarmantes. 

No Brasil, o país do samba e futebol morre-se por qualquer trocado, discussões geradas no trânsito, por vestir a camisa do time do coração ou farda policial, por opção sexual, raça, cor, credo, enfim, morre-se por qualquer coisa, até mesmo se o sujeito não simpatizar com sua cara. Simples assim! E vale lembrar que o Brasil figura na lista da ONG francesa “Repórteres Sem Fronteira” como o quinto país mais perigoso no mundo para jornalistas exercerem seu trabalho com segurança. Conforme dados da própria ONG o Brasil já teria enterrado mais profissionais da área, do que a Síria. E isso só no início desse ano. Ou seja, nem trabalhando estamos a salvos da ausência do Estado e da inoperância do sistema de segurança.

Outra estatística alarmante gira em torno do atendimento em hospitais públicos e até privados. A saúde pública está um caos, pior que em tempos de guerra quando vítimas eram atendidas precariamente, sem recurso algum. Hoje dispomos de tanto e tão pouco ao mesmo tempo. Pacientes excedem o número de leitos, pessoas são atendidas em macas, cadeiras ou até no chão. Recém nascidos são amontoados um ao lado do outro, doentes e sadios compartilhando o mesmo berço ou incubadora. E a desculpa é sempre a mesma: Falta dinheiro para investimentos.

Educação nunca foi e nunca será uma prioridade. Quem tem filhos na escola já sabe que os investimentos são insuficientes, mal distribuídos e mal geridos. O Brasil tem uma deficiência imensa de professores qualificados. E isso se dá pela má formação dos profissionais e a péssima remuneração dos bons, ou mais ou menos - motivo talvez para afastar os mais qualificados, restando somente alguns poucos dedicados. Isso sem falar na falta de condições básicas, o que afeta estrutura física, merenda escolar e até mesmo giz e carteiras.

Trabalhar virou desafio. Ao final de cada dia, depois de trabalhar dignamente o cidadão sente-se cada vez mais explorado pela máfia política e social que praticamente nos obriga a recorrer a uma renda extra. Com o que se ganha quase não dá para viver. Vamos à quitanda da esquina e o cenário revela o que todos já sabemos, mas o governo insiste em nos confundir. A inflação está alta, o país cresce pouco e os altos reajustes de serviços públicos e privatizados como transporte coletivo, telecomunicações, energia, pedágios e tantos outros serviços básicos e necessários estão comendo nosso dinheiro. Enfim, a economia está baixa, as famílias estão endividadas e os gastos do governo são crescentes.


Enfim, esses são apenas alguns pontos de um problema muito maior e que todos os dias milhares de brasileiros sentem na pele: As consequências negativas da falta de saúde, educação, trabalho e segurança. Infelizmente ao povo brasileiro não foi, não é, e nem será dada a acolhida “padrão FIFA”. Talvez por isso eu concorde plenamente com quem diz que o Brasil não tem condições de sediar tal evento, embora diga-se que a Copa trará investimentos. Tomara! Ao menos algo positivo diante de tanta roubalheira. Mas imposto é pago o tempo todo, ou seja, dinheiro nos cofres públicos entra o tempo todo, logo, investimentos deveriam ser feitos o tempo todo – para brasileiros - e não em nome de um evento que dura somente um mês, feito para turista e gringo ver. E as melhorias que estão fazendo por causa da Copa, e muito mal, diga-se, o governo já deveria ter feito a décadas.

Não será a Copa que irá salvar esse país. Essa é apenas mais uma peça mentirosa de propaganda como tantas outras para gringo ver. Não precisamos de Copa. Precisamos de mudanças, e muitas. E que comece pelo poder político, que é a reforma mais urgente que a nação precisa. Assim quem sabe não precisaremos mais varrer para de baixo do tapete toda a sujeira que gringos não podem ver, ou pensam que viram.

Uma pena tudo isso acontecer, uma vez que ao realizar um vento tão grandioso como esse perde-se mais uma vez a oportunidade de crescer e avançar de forma concreta e significativa em prol do cidadão brasileiro. Mas enfim, tudo isso que eu disse aqui não é nenhuma novidade, ao contrário, já foi dito e repetido a exaustão.

Falta vontade politica para melhorar? Sim, mas também falta mais vontade por parte de todos nós, afinal, temos a triste tendência de esquecer e nos acomodar. 
Mas nem por isso precisamos que criem histórias, inventem fatos e tentem denegrir ainda mais o que já é bem complicado, assim como fez o tal gringo, que disse ter visto o que certamente não viu!











quarta-feira, 9 de abril de 2014

Consciência requer prática!


                                                                   


Há pouco lembrei de uma história que passou com uma amiga e me fez pensar no quanto é importante que observemos nossa interação com os outros, e também nossos pensamentos e intenções.

Ela solteira, do tipo que procura por um companheiro “perfeito”, nunca encontrava alguém capaz de corresponder à altura suas expectativas, pois sua lista de qualificações era infindável. Porém, depois de inúmeras desculpas e recusas ela decide que é hora de uma nova tentativa. Aceita então o convite de um amigo e saem para jantar.

Tudo transcorria bem, a conversa agradável, a companhia idem, porém nada a surpreendia. Faltava alguma coisa.

Terminado o jantar seguiram lado a lado em direção ao estacionamento, enquanto em silêncio ela pensava no que diria, qual a desculpa daria, caso ele a convidasse para um novo encontro, pois já estava certa de que ele não era o "cara". Até que de repente seu telefone vibra e a salva daquele desconforto. 

Decidem então parar em frente a uma lanchonete, pois consideram a opção mais segura, já que é tarde e não há quase ninguém na rua. 

Conversa vai, conversa vem e o rapaz lá, parado e esperando. Ela segue no telefone, passando instruções a uma paciente gestante. Distrai-se com a conversa e o perde de vista. Mas logo o vê através do vidro da lanchonete. Ele está lá dentro, parado em frente ao balcão e, aparentemente está comprando alguma coisa.

Seu primeiro pensamento foi: Mas esse cara gosta de comer! Mal acabamos de jantar! Puxa, e nem me avisa que vai entrar.

Terminada a conversa vai até a porta da lanchonete para chamá-lo. Olha em direção ao balcão, e ele não está mais. Dá uma rápida olhada em volta e nada.  

Soltando fogo pelas ventas, sai furiosa. Já estava a ponto de abandonar o lugar quando o vê do outro lado da rua, alimentando um cachorro abandonado.

Ou seja, o que ela não sabia até aquele momento era que enquanto falava ao telefone, não pôde ver o animal faminto que buscava por alimento, coisa que ele não só viu como também se preocupou em resolver.  

E foi aí que ela soube que queria passar mais tempo com ele! Talvez ele fosse o "cara".



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Enfim, uma boa noticia!

                                                           


Entre 1992 a 1996 vivi em Imbituba, cidade costeira ao sul de Santa Catarina, local onde existe um belíssimo programa de pesquisa e conservação da Baleia Franca, segunda espécie mais ameaçada de extinção no planeta.

Da varanda de minha casa a paisagem era de tirar o fôlego. Um penhasco incrivelmente lindo estendia-se até o mar azul, cenário que parecia ter saído de um livro de histórias. Porém, nenhuma beleza poderia ser comparada a outro tão grandioso espetáculo da natureza que, para minha sorte e desfrute renovava-se anualmente, sempre entre os meses de junho a novembro, quando as baleias Francas chegavam e tomavam posse da pequenina praia.



E essa semana, para minha alegria, finalmente uma sentença proferida em Haia, na Holanda, o tribunal das Nações Unidas ordenou que o Japão revogue as autorizações existentes para capturar baleias para fins científicos – e que ninguém acredite que estivessem caçando e comercializando baleias somente para esses fins -,  e mais, que no futuro sejam vetadas todas as autorizações. A sentença é obrigatória e sem recurso.

E muito me admira que o Japão tenha hábitos tão grotescos, uma verdadeira falta de respeito à vida. Para mim nada justifica. E de nada adianta ser um povo tão desenvolvido em determinados aspectos se em outros lamentavelmente massacram baleias.  

E se você, assim como eu também não aceita a matança de animais, faça algo efetivo. Entre no site da P.E.T.A ou qualquer outra entidade que cuide de animais e se posicione. É o mínimo! Se cada um de nós, a seu modo conseguir estimular outras pessoas a fazerem o mesmo, então não só as baleias estarão livres para reinarem absolutas, mas todo e qualquer animal estará livre do cativeiro e morte.

E se ainda assim você pensar que isso tudo não passa de demagogia barata, então o convido a ler um trecho do relato que segue:

“Heller ainda lembra-se do terror do longo processo a que esses mamíferos inteligentes são submetidos até a morte: Os arpões explosivos são supostamente para matá-las instantaneamente, mas nunca é assim, lembra. Eles as acertam nos lugares errados, e as baleias são muito resistentes. Então, elas agitam freneticamente as extremidades desses arpões e começam a se afogar em sua própria hemorragia e choram. Os bebes, se elas os têm, nadam ao redor. Eles as puxam para o navio e, se ainda estiverem vivas começam a aplicar choques. São milhares de volts para tentar mata-las. E passam-se muitos minutos até que elas realmente morram.”  O jornalista de aventura Peter Heller acompanhou o capitão Paul Watson em uma de suas inúmeras campanhas pelo mundo, sempre desafiando a caça as baleias e a pesca ilegal.
                       
                                   
                                                      
Acredito que todos tenhamos uma ideia terrivelmente equivocada do que seja prioridade na Terra. Aqui somos apenas elementos que compõem a vida no planeta. E enquanto não aprendermos a ouvir a voz da compaixão e deixarmos que ela nos toque, seremos todos responsáveis das tragédias que nos cercam.