domingo, 23 de fevereiro de 2014

Por um espírito essencialmente livre!


                                                             


Se for verdade o que se prega, que a cada um lhe cabe carregar sua própria cruz, então naquele momento eu me libertava da minha, onde muito tempo me senti crucificada, tal qual a imagem impotente e torturada. 

E se mais uma vez, o que se prega é verdadeiro, diriam então tratar-se de "Punição Divina". E merecida, certamente!

Mas não gosto de pensar em punição. Essa é uma palavra que quando aplicada a um evento desagradável ou doloroso torna-se uma expressão infeliz, sugerindo que as dificuldades e sofrimentos sejam apenas castigos. E dizer que cada dificuldade que ocorre é justa e merecida, é no mínimo maldosa e equivocada.

Acredito que erros devam ser corrigidos, não castigados. E punição a meu ver sugere uma coisa extremamente autoritária e impiedosa. E nisso eu não acredito. E vou além: Ao longo de minha vida sempre olhei com desconfiança para as “verdades” que me foram apresentadas. 

Todas sempre me pareceram trágicas, dramáticas e controladoras, visto que usar da vulnerabilidade é fácil. E também não gosto da simbologia. Não gosto de ter que carregar a culpa por um Cristo crucificado. É pesado demais.

Penso que qualquer coisa construída sob o frágil terreno da obediência cega somente atrapalhe toda e qualquer evolução. Que a lei do equilíbrio e justiça nada tem a ver com pecado, culpa ou castigo. Tão pouco céu ou inferno. E me nego a acreditar que Deus ou qualquer outro Ser Supremo queira vingar-se das pessoas somente porque o desagradam. E me incomoda profundamente a sensação de estar sujeita a controle ou punição por parte de “alguém”.

Não tenho uma crença definida, confesso, mas tenho fé. Creio em uma força divina, multiplicadora e mediadora entre os homens. Creio em uma religiosidade e espiritualidade naturalmente capaz de aceitar que somos imperfeitos e falhos. Creio em uma energia transformadora capaz de modificar nossos atos e educar nosso caráter, sem que para isso seja preciso nos jogar na fogueira de suas vaidades ou verdades. Creio que sejamos semeadores, que plantemos todos os dias, porém, acredito acima de tudo que, quem busca sabedoria deve semear sua terra com amor, equilíbrio e justiça, porque um dia essas sementes irão germinar e frutificar.

Portanto, penso que a mera punição não liberta, assim como a dor por si só não faz crescer, mas a aprendizagem, a ação correta, a capacidade de projetar significados às adversidades, sim.

Acredito e tenho fé na vida, quando vivida de modo virtuoso e correto, seguindo um código de conduta espontâneo sem precisar fazer uso de qualquer mandamento, livro, blíblia ou cartilha, tão pouco contar com a benevolência divina para salvar-nos do fogo do inferno, porque aqui somos os únicos responsáveis pela ordem e rumo de nossas vidas.








                                             

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Confie, tenha fé!

                                                             
Muitas pessoas nesse momento estão vivendo sob a sombra do sofrimento. Porém, ainda que essa sombra paire sobre suas vidas, permitindo que o caos se instale a ponto de transformar o que era convicção em incerteza, ainda assim, não devem abandonar sua fé. 

Porque há momentos em que somente na fé, encontramos a força necessária para mantermos o olhar voltado ao coração. É ela que ilumina as sombras que insistem em inverter nossos valores internos, exigindo resultados que jamais serão compatíveis com a felicidade verdadeira, pois o fácil abismo existente entre os prazeres urgentes e o sofrimento é o que faz com que o caminho seja pouco entendido.


                    

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Horizonte - A medida do olhar!


                                                             

O céu estava azul e corria uma brisa suave. 
Caminhei com os pés descalços pela areia quente e me fui em direção ao mar. Parei, respirei fundo e deixei que meus olhos se perdessem no horizonte. 

Os mesmos olhos, que quando criança já sabiam que existe algo particularmente belo e especial quando céu e mar se encontram: A medida do meu olhar, a escala de minhas percepções.

Penso então nessa linha tênue como uma zona de fronteira. Um limitador da minha visão e de tudo o que, á partir daí, me deixe escapar. 

Pensar o horizonte é muitas vezes acreditar que a minha incompletude será eterna, pois sendo ele (in) visível, não se deixa capturar, recuando na medida em que avanço em sua direção.

Porém, mesmo que o horizonte me sinalize o limite do olhar, sei que o mundo ali não se esgota, e sim se estende muito além daquilo que posso enxergar.


                                                                                  


sábado, 1 de fevereiro de 2014

A pele como linguagem...


Imagem da artista plástica Ana Álvarez-Errecalde



Pele, muito mais que o maior órgão do corpo humano.
Vai muito além das definições de anatomia, fisiologia ou suas funções orgânicas e biológicas.

É ferramenta de exploração, delimita territórios.
É membrana codificadora, superfície que liga o interno e o externo, o eu e o outro, o corpo e o universo.

Pele é membrana de passagem, caminho para verdades.
Relação de reconhecimento. Cobre e percorre espaços. Dá contorno e envolve.

Pele é superfície visível e palpável.
Dá forma, molda e permite a maleabilidade.

Pele pulsa, respira, secreta, elimina, protege, revela.
É relicário que guarda e abriga.

É  à flor da pele que reivindicamos afagos, carícias e afetos.

Pele é via poderosa de comunicação.
É liga entre sagrado e profano, sensual e sensorial.

É onde transpiram nossos desejos, medos e alegrias.

Pele possui função de memória ao conectar-se com as mais diversas camadas do ser.

Pele conta o tempo, espaço e histórias.