segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Tempo... senhor dos senhores!


                                                           


Tempo, o senhor dos senhores. Aquele que leva o que se tem, mas nem sempre o que se sente.

Vivemos o tempo dos apressados, da eficiência, da perfeição, da geração de lucros, do sucesso frente ao outro e a nós mesmos. Trocamos prioridades, invertemos valores e assim vamos perdendo o pouco que nos resta.

Vivemos correndo para cumprir prazos, atingir metas e muitas vezes morremos sem ao menos alcança-las. Desperdiçamos tanto tempo em busca de um punhado de coisas sem importância que acabamos nem percebendo o que realmente tem valor.
Se observássemos criticamente nossas ações, descobriríamos que muitas delas são desnecessárias ou totalmente inúteis, pois só nos roubam tempo e energia.

Portanto, se soubéssemos diferenciar o urgente do importante talvez tivéssemos mais tempo para nós e os outros. Mas não, nossos olhos ficam cegos para o que realmente nos faz felizes porque o urgente está lá, sempre querendo nos roubar a sensação leve e gostosa que é simplesmente aproveitar os momentos que a vida nos contempla no agora, que é de fato quando podemos apreciar a plenitude de cada coisa.

Mas a verdade é que temos diferentes relações com o tempo. Enquanto que para alguns nunca há tempo suficiente para fazer o que gostam, para outros o tempo é entediante.

O certo é que ele se vai. Não podemos segurá-lo pela mão, nem tão pouco guardá-lo em uma caixinha. Por isso nos cabe administrá-lo da melhor forma possível, mesmo quando o melhor signifique não fazer nada, apenas deixá-lo ir.









quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Hoje é dia de saudade...


                                                     



Hoje é dia de saudade. Saudade de coisas que nem sei explicar o que, nem por que. Mas se soubesse gostaria de experimentá-las, todas, uma a uma.
Louco? Pode ser!

Mas afinal, o que é saudade? Na definição linguística, saudade é uma das palavras mais bonitas da língua portuguesa. Dizem que não existe expressão tão significativa em outros idiomas. 

Saudade é a lembrança nostálgica e ao mesmo tempo suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las.

Saudade é uma forma de se captar o tempo e reproduzir em nossa consciência as sensações, imagens e cenas da vida que nos propiciaram prazer, e cujas lembranças nos fazem viajar para além do nosso momento cotidiano real.

E você, do que tem saudade?









quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

E novamente é Natal...




Ao abrir a pequena caixa de enfeites, abro também as portas de um tempo feliz. Uma época em que Natal era uma data com contagem regressiva para ingressarmos no imaginário natalício e todas suas cores, simbologias, valores, rituais e, como é próprio de toda criança, a espera ansiosa pela magia dos presentes cuidadosamente embrulhados. Momento que servia para reforçar em todos nós a importância da partilha, pois os presentes de Natal verdadeiramente preciosos não são diminuídos quando partilhados, ao contrário, tornam-se mais doces e multiplicam-se quando ofertados.

E o Natal daquela época era assim, por excelência um encontro familiar de união e espírito de solidariedade. Mas infelizmente aquele Natal acabou, hoje vive somente em minha lembrança. E não porque as crianças cresceram, tornaram-se adultas, seguiram suas vidas e outros partiram para nunca mais voltar. Não, vai além. 

Ocorre que Natal é uma festa que implica em elementos que precisam ser construídos ao longo de todo o ano, e não somente nos dias que antecedem a data. Portanto, para que não seja uma festa solitária e melancólica é preciso que tenhamos construído relações. 
Para que seja familiar é preciso que tenhamos dedicado atenção a quem consideramos familiar. E finalmente para que as luzes revelem uma alegria verdadeira é preciso que exista uma base real nessa alegria, o que geralmente é fruto de um trabalho que dura o ano inteiro - em alguns casos não hesitaria em dizer que uma vida se faria necessário. Do contrário as luzes do Natal só servirão para enganar os olhos e maquiar tudo aquilo que não vai bem.

Enfim, penso que Natal foi feito para ficarmos juntos de quem amamos e reunirmos as pessoas mais queridas, mesmo quando poucas. É data para enfeitar a casa e celebrar a vida. E se hoje não posso ter os Natais de antigamente, nem tão pouco ter ao meu lado todas as pessoas que gostaria, então só me resta seguir amando-as com a mesma intensidade, afinal esse é o propósito do momento, esse é o verdadeiro espírito do Natal.



E que todos possamos passar um Natal com amor e em amor!









quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Estradas...




Eu sempre quis entender os mistérios da estrada
daqueles que partem, mas nunca partem por completo
daqueles que ficam, mas nunca ficam por inteiro...





segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Mude o curso das coisas, não deixe que a vida aconteça sem você!

                                                             
Se você não gosta do lugar para onde a correnteza o está levando, então mude o curso das coisas. 
Não espere uma oportunidade surgir. Crie a sua própria, que essa certamente te levará para onde você quer e deve estar. 
Não deixe a correnteza te guiar. Estabeleça um rumo e tenha o controle de sua própria história.
Pense nisso...

Uma excelente semana a todos!












segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Qual o limite de suas cordas, amarras ou correntes?


                                                             

Hoje, após assistir um belíssimo documentário sobre a vida dos elefantes africanos e sua incansável busca por água e alimento, me pego agora pensando: Sendo ele um animal tão grande e forte, capaz de sobreviver a tanta adversidade, como se deixa acorrentar e aprisionar?

Ocorre que infelizmente os elefantes são capturados ainda bebês, quando desconhecem a força que tem, o que possibilita um treinamento ainda mais eficaz. E assim permanecem cativos durante anos ou uma vida toda, já que diariamente 
são desencorajados a não buscarem a liberdade. E é o que realmente acaba acontecendo, pois depois de tantas tentativas frustradas eles simplesmente desistem e são vencidos pelas correntes, acreditando que todo esforço será inútil.

Pois bem, de certa forma todos nós vivemos situações bem parecidas, embora muitas vezes nem notemos. Somos seres grandiosos, potencialmente criados para felicidade e liberdade, porém, quantas vezes nos deixamos vencer por amarras sutis e sem fundamentos? Quantas vezes nos deixamos aprisionar por cordas invisíveis que só nos imobilizam? Quantas vezes simplesmente nos conformamos e nos submetemos aos acontecimentos sem ao menos questionar, apenas nos recolhendo prontamente mansinhos e sem reclamar?

A verdade é que ninguém quer viver em cativeiro. Mas há que lembrar que existem outras prisões bem mais eficientes, onde correntes externas não podem ser piores que as internalizadas, aquelas que nos prendem por dentro e nos tornam o próprio obstáculo a liberdade, nos paralisando diante da vida.

Pense nisso...




Uma excelente semana a todos!





terça-feira, 2 de setembro de 2014

Movimento urbano, fascinante em sua diversidade!


                                                   

Já observaram como algumas cidades nos lembram os tabuleiros de xadrez? Talvez por sua organização em relação a suas ruas, quadras e construções padronizadas. Já outras são verdadeiros emaranhados de cores, estilos, ruas inexatas, construções irregulares, enfim, um verdadeiro caos urbano.

Foi a partir dessa visão, observando a diferente dinâmica de algumas cidades e o movimento quase sempre apressado e desordenado de seus habitantes que me peguei pensando no quanto uma cidade pode nos contar de suas histórias, e o quanto seus habitantes podem transformar-se em valiosa fonte de inspiração, auxiliando meu imaginário com inúmeras fabulações. 

E assim, nesse contexto nasce uma nova forma de olhar e me relacionar. Nasce a poética que se dá ao descobrir o outro, o desconhecido que passa ao lado, as pessoas que surgem e rapidamente se vão, como uma nuvem de fumaça.

E nessa grande valsa, no vai e vem frenético de centenas de pessoas que se dá a deliciosa e curiosa mistura de lirismo, comédia e drama, pois são histórias que se misturam, cruzam e vão muito além da fantasia e realidade de cada um. São como tinta fresca, que de pincelada em pincelada reproduz o fiel retrato do estilo de vida contemporâneo nas grandes cidades.

Então continuo observando e penso no que vem a seguir. Me esgueiro por entre o ritmo de seus passos, olho por entre seus ombros, tento imaginar suas vidas e não me contenho diante do que nasce miraculosamente do transitório.

                                        

É como tecer fios de vidas. E eu, na condição de expectadora escolho o que quero ver. Seleciono cada imagem num interessante e delicioso exercício onde visão e imaginação passam a ser exercidos com aguçamento, o que resulta numa leitura particular de impressões, gestos, movimentos e conversas.  

E esse é o verdadeiro pulsar das ruas. O dia a dia que emociona e inquieta, que irrita e desassossega, mas que no fundo só precisa de um pouco mais de atenção, pois cada uma dessas pessoas possui uma vida repleta de dramas e alegrias, motivo suficiente pra que tenham meu respeito e atenção.

                                       


Uma excelente semana a todos!












quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A arte de saber esperar...




Para muitos a espera é um imenso deserto árido, 
existente entre o lugar em que se encontram e o lugar para onde desejam chegar. 
Mas para ela esse era o caminho.

“O caminho abre-se na espera, como se fecha ao que nada espera”
Donald Schüler





Excelente semana a todos!














quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A presença da ausência...





"Está muito enganado quem pensa que o silêncio é necessariamente o deserto, o vazio, a ausência de toda atividade, de toda criação, ou, numa palavra, o nada. Na realidade há silêncio e silêncio. Mas, de uma maneira geral podemos dizer que existem duas espécies de silêncio: O da morte e o da vida superior. É precisamente esse último que é preciso compreender, e é dele que falamos aqui. Esse silêncio não é uma inércia, mas sim um trabalho, uma atividade intensa que se realiza no seio de uma harmonia perfeita. Também não é um vazio, uma ausência, mas uma plenitude comparável aquela que experimentam os seres unidos por um grande amor, e que vivem algo tão intenso que não conseguem exprimi-los por gestos ou por palavras. O silêncio é uma qualidade de vida interior."  Omraam Mikhaël Aïvanhov (1900-1986) Filósofo Místico Belgo-Francês


O silêncio pode ser mais revelador do que todas as palavras do mundo!
Ao praticá-lo encontrarás o equilíbrio necessário para permanecer em si, por si, para si e con-si-go!

Pense nisso...



Uma excelente semana a todos! 







quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Um ano se passou...


                                                             

Comecei a escrever esse blog no dia 13 de agosto de 2013, portanto, hoje estamos comemorando um ano de existência. E durante esse tempo descobri que há pessoas desagradáveis apesar de suas qualidades e outras encantadoras, apesar de seus defeitos.

Quando resolvi dar vida ao Do Jeito DE... não pensei em nada disso. Procurava apenas um lugar onde pudesse me expressar e difundir tudo aquilo que me interessa e considero importante. Mas administrar um blog não é tarefa fácil. É preciso dedicação e tempo para escrever, editar, selecionar imagens, responder aos comentários, retribuir as visitas, enfim, por mais prazeroso que seja compartilhar com vocês minhas escritas, há dias em que tudo isso me parece um grande desafio.

E quem me conhece sabe que não sou jornalista ou escritora. Escrevo porque gosto e acredito naquilo que escrevo. É como disse uma querida amiga: “Seu blog faz a gente pensar”. E esse é o tipo de comentário que me faz querer seguir em frente e acreditar que esteja no caminho certo.

Mas nos últimos meses as coisas não foram fáceis. Vivi momentos de muita tensão, confrontos e reflexões.  Passei noites em claro, chorei sozinha, convivi de perto com a dor e confrontei-me com o medo paralisante da morte. No entanto, em meio ao caos descobri que era preciso deixar de lado algumas certezas, cansei de esperar por algumas respostas e descobri que a atitude que me tira da inércia pode ser a última esperança em alguns casos. Então, passada a tempestade precisei de um tempo para oxigenar minha alma, esvaziar a mente e me reconectar comigo mesma. Saí de férias!


Mas O Jeito DE... está voltando. E continuará da mesma forma que começou. Acreditando que o desenvolvimento da espiritualidade é a chave para a sustentabilidade tão almejada. 


Uma excelente semana a todos!




segunda-feira, 16 de junho de 2014

Em agradecimento...


                                                                 


"Existem momentos quando o Divino se move entre os homens que sua respiração quase pode ser sentida. E nesse momento, como ondas Ele abrange todo o nosso ser."

É com esse pequeno, porém belíssimo parágrafo que inicio meu texto de hoje, pois foi essa presença divina que me manteve e sustentou durante os últimos dias, quando estive diante do meu pior inimigo: o medo de perder minha filha!

É uma experiência assustadora. Não havia paz. A vida girava em torno da minha cabeça e tudo ficava fora de ordem. E a única coisa que me acalmava naquele momento era o som do meu coração batendo, me mostrando que não poderia entrar em colapso.

E foi a força desse compasso, mesmo quando descompassado que me fez encontrar um fiapo de paz e silêncio, condição necessária para que eu pudesse sentir a presença do Divino comigo e minha filha.

Na verdade ele sempre esteve, principalmente nas horas mais críticas, quando era preciso adotar uma postura mais confiante e positiva. 


Recado: Aproveito para agradecer a todas as pessoas que não me “abandonaram”. Que apesar do meu afastamento continuaram visitando o blog e deixando seus comentários. Aos poucos irei retomando o ritmo das visitas. 


Uma excelente semana!








sábado, 7 de junho de 2014

Para Giada!

                                       
Desde cedo percebi que você não era o tipo de criança que se esconde atrás das pernas da mamãe, ao menor sinal de perigo. Ao contrário. 
Você sempre foi uma menina destemida, coisa que seu olhar cheio de inquietude e curiosidade já revelava.

Mas o tempo foi passando. E com esse mesmo olhar atento e curioso você compreendeu que com o auxílio de seu corpo, voz e criatividade poderias desempenhar inúmeros papéis. E foi o que você fez.   Criou seus personagens e viveu suas fábulas no fantástico Mundo do Faz de Contas. E lembro bem. Já naquele tempo seus personagens eram bem elaborados, constituídos de uma grande carga de sentimentos, recordações, saudades, medos e alegrias. E sua interpretação me surpreendia, pois suas falas e gestos eram sempre carregados de muita emoção.

E foi ali Giada, em seu pequeno palco que você passou a descobrir que todas aquelas expressões  te fascinavam - talvez até mais que a dança e a música. Então foste em busca de um diálogo maior, pois sabias que para alcançar o sucesso é preciso um trabalho minucioso, muito empenho e boa vontade.  
E são muitos os passos para se chegar em cena com um verdadeiro estado “criador”. Não há fórmula pronta para interpretar ou criar. É preciso aprender a aliar técnica a talento para adquirir um conhecimento maior de si mesma, seja físico, sensorial ou emocional.  

Acredito que o teatro te dará uma percepção melhor do mundo e te ajudará a promover seu autoconhecimento e autoconfiança.  E isso sem contar que vais desenvolver ainda mais a sua criatividade individual, bem como o respeito pela criatividade e individualidade de seus companheiros. Mas principalmente Giada, o teatro te ajudará a desenvolver suas habilidades ainda adormecidas, estimulando a imaginação e ajudando na organização dos seus pensamentos diante da vida.  

Eu realmente me sinto orgulhosa de acompanhar sua trajetória, sua paixão e envolvimento pelo mundo das artes, e não só a cênica. E seguir seus passos, mesmo que à distância é motivo de muita alegria e satisfação. Junto de seus pais pude acompanhá-la desde o começo, passando por todo seu processo criativo. Lembro de suas inúmeras narrativas em frente ao espelho, as danças loucas e frenéticas diante da câmera ou quando nos transformava em platéia.

Enfim, Giadinha tudo isso é para te dizer o que já sabes, mas que é sempre bom relembrar. Sua família foi seu primeiro ponto de apoio para a criação desse belíssimo cenário de fantasia e realidade que tem sido sua vidinha até então. E agora vemos a nossa menina, que até a pouco ainda brincava com suas bonecas, já explorando as diversas possibilidades das vivências de ser menina-mulher.

E lembre-se: A palavra "teatro" deriva dos verbos gregos "ver, enxergar", lugar de ver, ver o mundo, se ver no mundo, se perceber, perceber o outro e a sua relação com o outro. Portanto, aconteça o que acontecer, nenhuma apresentação deverá ser vista como a “apresentação final” já que existem muitas formas de “ser e estar“ não só nas artes, mas na vida, principalmente.
E sei que seu caminho será lindo como uma fábula, doce como seu sorriso e feliz como a criança que habita em você!



                                                   





segunda-feira, 26 de maio de 2014

Feito criança...


                                                             


Ágil, leve e límpida! Feito alma de criança. Mas nem sempre é assim. Nem sempre conseguimos manter essa mesma alegria, vigor e simplicidade. Às vezes tendemos a nos perder. Nos deixamos levar pelo rigor da lógica, fazemos jogos obsessivos com o vazio, permanecemos no campo da representação defensiva, fugimos da raia, fugimos do tempo, fugimos da vida.

Deixemos de nos preocupar em querer preencher nossos momentos de significados grandiosos e muitas vezes inúteis. Bobagem! A vida é um longo e sutil aprendizado. Portanto relaxe, deixe-se levar pela delicadeza e simplicidade de sua criança, que com criatividade e otimismo desfruta do melhor que a vida oferece a cada momento.




Uma excelente semana!










sábado, 17 de maio de 2014

E você, dorme enquanto os ventos sopram?




Quando eu era menina, ouvi lindas e interessantes histórias contadas por meu querido avô Benjamin. Mas não eram historinhas infantis que se conta para criança dormir. Geralmente eram histórias passadas de pai para filho, sempre cheias de sabedoria e algum ensinamento. E eu adorava. Mesmo quando longas, ouvi-las era como música para meus ouvidos, até porque adorava seu sotaque carregado no espanhol, o que deixava toda e qualquer narrativa ainda mais encantadora. E uma dessas histórias me serve como referência até hoje.

E era mais ou menos assim: 
Havia um fazendeiro, senhor bem sucedido e dono de terras a perder de vista em uma pequenina cidade no norte da Espanha. Porém as coisas não andavam muito bem. Com o inverno batendo à porta, já era tempo de contratar mão de obra. Mas o problema é que não haviam candidatos, o que talvez ocorresse devido ao trabalho árduo que antecedia ao inverno e o difícil acesso a fazenda, o que tornava-se outro desafio, pois nos dias de chuva mais severas era quase impossível que alguém chegasse ou partisse. 

Então, quando já conforma-se e desistia de encontrar um novo ajudante, aparece um interessado. Era um homem baixinho e franzino, com um semblante bastante cansado e frágil. E o fazendeiro, já meio desanimado com a figura do candidato vai logo perguntando: "Você é um bom lavrador? Tem certeza que chegará vivo ao final do inverno?"
E o homem calmamente responde: "Bem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram"  Embora confuso com tal resposta, mas necessitado de ajuda o fazendeiro resolve contratá-lo sem mais questionar. 
E para sua surpresa o que vê é um homem trabalhando com louvor. O pequenino mantinha-se ocupado do alvorecer ao anoitecer. Trabalhava mais que qualquer outro, o que deixava o fazendeiro satisfeito, sorrindo de orelha a orelha.

Até o dia em que o temido inverno chegou! E numa noite fria o vento uivou assustadoramente. Preocupado o fazendeiro pulou da cama, agarrou o lampião e correu até o alojamento dos empregados. Lá chegando encontrou os homens já vestidos, prontos para sair em socorro dos animais e tudo o que se fizesse necessário naquele momento. Mas o pequenino homem não estava entre eles. Foi então que que olhou em direção a sua cama e o vê ainda deitado. Irado põem-se a chamá-lo. Mas nada do homem acordar. Então furioso ele grita: "Levanta homem, uma tempestade se aproxima!"

O homem calmamente vira-se na cama, encara-o e diz firmemente: "Eu não vou senhor, não é preciso! No dia em que me contratou eu lhe disse que poderia dormir enquanto os ventos soprassem. O senhor não lembra?" Enfurecido com a resposta, mas sabendo que aquele não era o momento para discutir, apressa-se para sair e preparar tudo o que é preciso, pois a tempestade não tardaria em chegar. Do homem cuidaria depois.

Mas para seu assombro, ao chegar próximo do celeiro descobre que todo o feno já está coberto com imensas lonas e todas presas firmemente ao chão, como deve ser. Vacas e cavalos estão devidamente protegidos no celeiro, galinhas nos viveiros e porcos nos chiqueiros. Todas as portas travadas, janelas bem fechadas e todos os animais abrigados, seguros e protegidos. Foi então que o fazendeiro entendeu o que o pequenino homem quis dizer.

Gosto muito dessa história. Talvez porque ela me inspire, desperte a consciência e mostre o quanto é importante que eu me mantenha sempre preparada para as intempéries da vida, já que ela, com seus constantes ciclos exige essa vigília. E assegurar o nosso bem estar e daqueles que amamos gera uma tranquilidade ímpar, capaz de nos proporcionar um sono muito mais tranquilo.

E você, o que tem feito para dormir tranquilo nos dias tensos de tempestade, quando o vento insiste em soprar?



Uma excelente semana a todos!









sábado, 10 de maio de 2014

Simplesmente mãe...


                                                           
Ao nutrirmos uma nova vida dentro de nossos ventres, nutrimos também uma história de sentimentos, dores e anseios, delicadezas e poesia, amor e afeto, começo, meio e fim.

E tentando entender todos os sentimentos que envolvem essa vida que pulsa dentro de nós, com mil questionamentos e um papel até então desconhecido a desempenhar, nos vêm a urgência de transformar o desconhecido em uma explosão de felicidade. 

E subitamente nos vemos mãe. De fato! Descobrindo no dia a dia que nem tudo são flores, pois muitas são as dores e as delícias que envolvem a maternidade.


Mas ao olharmos em volta e nos depararmos com a coisa mais importante de nossas vidas, aquele pequenino sopro de nossa alma, aquela pequena e ao mesmo tempo tão grande extensão de nós mesmas, experimentamos ali o maior amor já vivido. 


E é em nome de todos esses sentimentos que celebro as mães com carinho e respeito. Todas, sem exceção. Celebro as que amam incondicionalmente, as que generosamente estendem seus braços e acolhem em adoção, as perfeitas e imperfeitas, as que seguem e as que desistem, as que erram e se superam, as que se perdoam e são perdoadas.

Eu as celebro sempre, até porque não acredito naquele ideal de mãe construído como "perfeita", pois somos todas humanas, portanto passíveis de falhas. E há que lembrar que existe um caminho longo e difícil a ser percorrido, principalmente no que diz respeito a idealização e realidade, o que na prática é bem diferente.


                                          








sexta-feira, 9 de maio de 2014

Para todas as meninas...


                                                                                                     
Pessoas de todo o mundo juntaram-se a campanha “Bring Back Our Girls” (Tragam Nossas Meninas de Volta) como forma de chamar a atenção mundial para o sequestro das meninas nigerianas. Uma campanha que poderia se estender a todas as meninas que são levadas diariamente, em todos os cantos do planeta.

O que o grupo radical islâmico Boko Haram fez as meninas da Nigéria é um crime, uma brutalidade a dignidade humana e vai contra tudo o que prega a carta dos direitos humanos. Uma realidade bárbara e cruel que revela a triste condição feminina em alguns países de regime fundamentalista, onde o simples fato de nascer mulher já é motivo de opressão.

As meninas nigerianas foram levadas na noite do dia 14 de abril, ou seja, há quase um mês e até agora pouco se sabe, a não ser o objetivo do sequestro: Paralisar a busca por conhecimento e educação, pois conhecimento é arma poderosa contra a opressão, leva à liberdade, a uma compreensão melhor do mundo, combate a desigualdade e insere as pessoas na sociedade.

Assim fizeram com Malala Yousafzai e agora com as meninas da Nigéria. E amanhã, onde e quem será?








terça-feira, 6 de maio de 2014

Para refletir...


                                                             



“Dominar os outros é força. Dominar a si mesmo é o verdadeiro poder” Lao Tzu

Hoje me peguei pensando na energia que empregamos ao lutarmos para encobrirmos nossas fraquezas, o que certamente é em vão, já que sempre deixamos rastros, mesmo quando nos camuflamos com o melhor de nós mesmos.

Talvez isso explique o porque de tantas pessoas andarem tão distantes de seus verdadeiros sentimentos, preferindo assumir uma postura marcada pela agressividade a mostrar sua fragilidade.


Estranho isso!


Pense nisso...











segunda-feira, 28 de abril de 2014

O que faz a diferença?


                                                                 


Recentemente li uma matéria que sugere que o cavalheirismo é apenas uma forma disfarçada de machismo, ou seja, uma estratégia de manutenção a suposta “superioridade masculina”, e teria encoberta a função de ritualizar a imagem social da mulher como submissa e dependente.

De imediato pensei: E daí, já se foi o tempo em que deveríamos considerar como qualidade marcante ou essencial o fato do homem abrir a porta do carro, encarregar-se de pagar a conta no jantar, levar nossas bolsas e sacolas ou simplesmente nos oferecer o braço para atravessarmos a rua com maior segurança, porque na verdade não é isso que verdadeiramente importa.

Mulheres modernas sabem que cavalheirismo não passa de um desejo mitificado, e que a verdadeira noção de cavalheirismo reside num contexto geral, e não somente numa regra social de boa conduta e bons modos.

Mas aí você deve estar pensando: Mas esses gestos são bacanas, não são? Sim, mas não tão importantes diante tantas outras coisas. É como disse a socióloga Tica Moreno: “Cavalheirismo acontece em espaço público, já a violência no privado”. Ou seja, não adianta o cara ser todo gentil na frente dos outros, cobrindo uma poça d’água para a mocinha passar se depois, a quatro paredes desce o pau, revelando assim seu verdadeiro caráter e intenção.

Penso que o verdadeiro cavalheirismo reside na reciprocidade, que é a sensibilidade de quem sabe perceber o outro e ficar atento o dia inteiro sem esforços e malabarismos. O que para mim é absolutamente essencial, pois com ela aprendemos a manejar lenta e gradualmente a busca pelo equilíbrio e felicidade nas nossas relações.
O que não se aplica somente a vida afetiva e pessoal, mas na profissional também.


                                              



terça-feira, 22 de abril de 2014

Dia da Terra!

Como parte da história do universo em desenvolvimento, celebramos nosso parentesco não apenas com os outros seres humanos, mas também com todas as outras formas de vida. Começamos a descobrir o nosso nicho. Percebemos que não somos apenas parte da humanidade, mas da Terra; não somos simplesmente seres humanos, mas seres do universo. Como tal, somos distintos não apenas pela consciência reflexiva, mas pela inteligência de admiração também... Juntamente com a gratidão e reverência , a admiração pode ser uma chave para liberar o potencial de florescimento de nossa espécie e do nosso planeta”
                                                    Mary Evelyn Tucker


                                           Imagem: Google

Hoje, dia da Terra, nossa casa, nossa Mãe, fonte de toda vida, compartilho com vocês a belíssima “Oração de Intercessão Nativo Americana” para que em silêncio possamos falar ao coração e humildemente nos coloquemos em profunda gratidão pelo Planeta.

Tradicional Oração de Intercessão Nativo Americana:

Oh grande Espírito, cuja voz ouvimos no vento,
cujo sopro dá vida ao mundo inteiro
ouvi-nos, precisamos de sua força, e de sua sabedoria.
Caminhemos na beleza, e façamos com que nossos olhos sempre
contemplem o pôr do sol vermelho e púrpura.
Faça com que nossas mãos respeitem as coisas que você criou,
e que nossos ouvidos fiquem abertos para ouvir sua voz.
Torne-nos sábios para que possamos entender
as coisas que você ensinou ao nosso povo.
Ajude-nos a manter a força e a calma diante
de tudo que surgir em nossa direção.
Que possamos aprender as lições que você ocultou
em cada folha, em cada pedra.
Ajude-nos  a buscar pensamentos saudáveis
e a agir com a intenção de ajudar os outros.
Ajude-nos a encontrar a compaixão, sem a empatia nos subjugando.
Busquemos a força para não sermos maiores que nosso irmão ou irmã,
mas para enfrentarmos o nosso maior inimigo – nós mesmos!
Faça-nos sempre prontos para chegar até você,
com as mãos limpas e franqueza no olhar
pois assim, quando a vida se esvair, como o pôr do sol se desvanecendo,
nosso espírito poderá chegar até você sem desonra.


Lindo não é mesmo? Eu digo amém! E como filha da Mãe Terra, esse planeta que habito com tanto amor e gratidão, desejo de todo coração que possamos encontrar formas de viver em equilíbrio e harmonia. Que possamos nos tornar profundamente conscientes de que esse é um lugar único, especial e sagrado. E que em comunhão possamos todos ouvir o seu chamado, pois só assim as futuras gerações poderão ver nossos rios fluírem, as sementes brotarem, os vales, montanhas, florestas e campos verdejarem.

Mas para que a natureza siga adiante, devemos reconhecer que no meio dessa magnífica diversidade somos uma imensa família, uma comunidade com um destino comum. E o bem estar dessa comunidade, assim como a preservação do planeta é um dever nosso.


Pense nisso...


quinta-feira, 17 de abril de 2014

O gringo que viu o que os gringos não devem ver! Será?




Após ler a postagem “Um gringo que viu o que os gringos não devem ver” no blog Meus Devaneios Escritos de Silvana Haddad, penso no quanto as histórias se mesclam, entrelaçam e falam por si só, fazendo com que eu me sinta cada dia mais incomodada e enojada, pois do ponto de vista ético e moral descemos cada vez mais baixo.

Enfrentar as dificuldades da vida não é fácil, porém difícil é constatar que grande parte da minha insatisfação é gerada por um governo que não consegue sequer administrar de forma digna e satisfatória os recursos públicos em favor de seu povo. Um governo moralmente falido, com discursos desgastados, mentirosos e corrompidos.

É injusto e indigno ter que sair as ruas todos os dias para trabalhar ou estudar e confrontar-se com o medo de não sobreviver, virando mais um número da interminável estatística de violência urbana que certamente faria inveja até ao mais temido membro da Al Qaeda, por
que a violência tomou proporções alarmantes. 

No Brasil, o país do samba e futebol morre-se por qualquer trocado, discussões geradas no trânsito, por vestir a camisa do time do coração ou farda policial, por opção sexual, raça, cor, credo, enfim, morre-se por qualquer coisa, até mesmo se o sujeito não simpatizar com sua cara. Simples assim! E vale lembrar que o Brasil figura na lista da ONG francesa “Repórteres Sem Fronteira” como o quinto país mais perigoso no mundo para jornalistas exercerem seu trabalho com segurança. Conforme dados da própria ONG o Brasil já teria enterrado mais profissionais da área, do que a Síria. E isso só no início desse ano. Ou seja, nem trabalhando estamos a salvos da ausência do Estado e da inoperância do sistema de segurança.

Outra estatística alarmante gira em torno do atendimento em hospitais públicos e até privados. A saúde pública está um caos, pior que em tempos de guerra quando vítimas eram atendidas precariamente, sem recurso algum. Hoje dispomos de tanto e tão pouco ao mesmo tempo. Pacientes excedem o número de leitos, pessoas são atendidas em macas, cadeiras ou até no chão. Recém nascidos são amontoados um ao lado do outro, doentes e sadios compartilhando o mesmo berço ou incubadora. E a desculpa é sempre a mesma: Falta dinheiro para investimentos.

Educação nunca foi e nunca será uma prioridade. Quem tem filhos na escola já sabe que os investimentos são insuficientes, mal distribuídos e mal geridos. O Brasil tem uma deficiência imensa de professores qualificados. E isso se dá pela má formação dos profissionais e a péssima remuneração dos bons, ou mais ou menos - motivo talvez para afastar os mais qualificados, restando somente alguns poucos dedicados. Isso sem falar na falta de condições básicas, o que afeta estrutura física, merenda escolar e até mesmo giz e carteiras.

Trabalhar virou desafio. Ao final de cada dia, depois de trabalhar dignamente o cidadão sente-se cada vez mais explorado pela máfia política e social que praticamente nos obriga a recorrer a uma renda extra. Com o que se ganha quase não dá para viver. Vamos à quitanda da esquina e o cenário revela o que todos já sabemos, mas o governo insiste em nos confundir. A inflação está alta, o país cresce pouco e os altos reajustes de serviços públicos e privatizados como transporte coletivo, telecomunicações, energia, pedágios e tantos outros serviços básicos e necessários estão comendo nosso dinheiro. Enfim, a economia está baixa, as famílias estão endividadas e os gastos do governo são crescentes.


Enfim, esses são apenas alguns pontos de um problema muito maior e que todos os dias milhares de brasileiros sentem na pele: As consequências negativas da falta de saúde, educação, trabalho e segurança. Infelizmente ao povo brasileiro não foi, não é, e nem será dada a acolhida “padrão FIFA”. Talvez por isso eu concorde plenamente com quem diz que o Brasil não tem condições de sediar tal evento, embora diga-se que a Copa trará investimentos. Tomara! Ao menos algo positivo diante de tanta roubalheira. Mas imposto é pago o tempo todo, ou seja, dinheiro nos cofres públicos entra o tempo todo, logo, investimentos deveriam ser feitos o tempo todo – para brasileiros - e não em nome de um evento que dura somente um mês, feito para turista e gringo ver. E as melhorias que estão fazendo por causa da Copa, e muito mal, diga-se, o governo já deveria ter feito a décadas.

Não será a Copa que irá salvar esse país. Essa é apenas mais uma peça mentirosa de propaganda como tantas outras para gringo ver. Não precisamos de Copa. Precisamos de mudanças, e muitas. E que comece pelo poder político, que é a reforma mais urgente que a nação precisa. Assim quem sabe não precisaremos mais varrer para de baixo do tapete toda a sujeira que gringos não podem ver, ou pensam que viram.

Uma pena tudo isso acontecer, uma vez que ao realizar um vento tão grandioso como esse perde-se mais uma vez a oportunidade de crescer e avançar de forma concreta e significativa em prol do cidadão brasileiro. Mas enfim, tudo isso que eu disse aqui não é nenhuma novidade, ao contrário, já foi dito e repetido a exaustão.

Falta vontade politica para melhorar? Sim, mas também falta mais vontade por parte de todos nós, afinal, temos a triste tendência de esquecer e nos acomodar. 
Mas nem por isso precisamos que criem histórias, inventem fatos e tentem denegrir ainda mais o que já é bem complicado, assim como fez o tal gringo, que disse ter visto o que certamente não viu!